
Nesta sexta-feira, dia 24 de abril, quando é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra às Meningites, o Hospital Escola Dr. Helvio Auto (HEHA), unidade assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), chama atenção para a gravidade da doença e a necessidade de agir rapidamente diante dos primeiros sintomas, uma vez que há uma predominância de casos de meningite bacteriana na região.
Dados do próprio hospital mostram o cenário de atendimentos nos últimos anos. Em 2024, o HEHA notificou 33 casos de meningite, sendo 10 confirmados. Em 2025, foram 31 notificações, com 13 confirmações. Já em 2026, até o momento, foram notificados 25 casos, dos quais 9 foram confirmados, 8 descartados e 8 seguem em análise. As informações destacam o caráter estratégico da unidade de saúde no atendimento e monitoramento dos casos, em articulação com a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau).
Segundo o infectologista do hospital, Fernando Maia, a meningite é uma doença que exige atenção constante. “Estamos enfrentando epidemia principalmente de meningite bacteriana. A bactéria que tem circulado é o meningococo do tipo C. Apesar de termos vacina na rede pública, as pessoas não procuram e a doença acaba circulando com mais facilidade”, destaca Maia.
As meningites podem ser causadas por diferentes agentes infecciosos. As formas virais são mais comuns e tendem a ter evolução mais leve. Já as meningites bacterianas são mais graves e apresentam maior risco de morte. Entre elas, a meningite meningocócica se destaca pela evolução acelerada, podendo se agravar em poucas horas.
Como a doença pode evoluir rapidamente, o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para evitar complicações e salvar vidas. “Também estamos vendo casos de meningite do tipo B, que nos preocupam mais porque ela não tem vacina na rede pública, e como todos os outros casos de meningite meningocócica, ela pode causar surtos, epidemias, e fazer formas muito graves que matam a pessoa às vezes em menos de 24 horas, como temos visto”, explicou o infectologista.

Sintomas e sinais de alerta em crianças
Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e confusão mental. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem ser mais inespecíficos, como irritabilidade, choro persistente, dificuldade para se alimentar, sonolência excessiva e moleira inchada.
Sinais como convulsões, manchas roxas na pele, rigidez intensa e alteração do nível de consciência indicam uma emergência médica. “Geralmente a meningite meningocócica é a que pode fazer forma fulminante, que é aquela que mata em menos de 24 horas. Geralmente essas formas fulminantes, essas formas muito graves, acontecem principalmente em crianças. Então essa é a faixa etária que mais preocupa. Nesses casos, é essencial procurar imediatamente um serviço de saúde, pois a doença pode evoluir de forma muito rápida em poucas horas”, alerta Fernando Maia.

Prevenção e cuidado contínuo
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas que protegem contra os principais agentes causadores da doença, como as vacinas meningocócicas C e ACWY, a pneumocócica e a Haemophilus influenzae tipo b (Hib). A imunização é considerada a forma mais eficaz de prevenção, sobretudo entre crianças e adolescentes.
“De longe, a melhor estratégia para evitar casos é a vacinação. Então a Sociedade de Infectologia indica que essa vacina para meningococcemia do tipo B seja incorporada ao calendário vacinal das crianças. Está grandemente comprovado que nos países onde a vacinação foi introduzida, os casos praticamente desapareceram. Então a melhor profilaxia é a vacinação”, ressaltou.
Além da vacinação, medidas simples ajudam a reduzir o risco de transmissão, como higienizar as mãos com frequência, evitar compartilhar objetos pessoais, manter ambientes ventilados e adotar etiqueta respiratória.
Como unidade de referência, o Hospital Escola Dr. Helvio Auto segue atuando no diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos casos em Alagoas, contribuindo para a assistência e vigilância da doença no estado. “A informação é essencial para a prevenção. Reconhecer os sinais e buscar atendimento precoce pode fazer toda a diferença”, encerrou o especialista.
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