
Polícia Federal solicitou prazo adicional para concluir apuração sobre descumprimento reiterado de decisões judiciais.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou a prorrogação por 60 dias do inquérito que investiga o influenciador Bruno Aiub, conhecido como Monark, por descumprimento de decisões da Corte quanto a publicações nas redes sociais.
A Polícia Federal (PF) solicitou mais tempo de investigação, informando não ter concluído todas as etapas da apuração. Segundo os investigadores, o prazo adicional é “essencial para que o trabalho seja finalizado”.
O Estadão tenta contato com a defesa de Monark. O espaço está aberto para manifestações.
Monark é investigado por driblar pedido judicial de bloqueio de seus canais e perfis e ordem para que se abstivesse de “publicar, promover, replicar ou compartilhar notícias fraudulentas”, sob pena de multa.
Em processo sobre o ataque às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, Moraes determinou que as empresas Facebook, TikTok e Twitter (hoje, X) bloqueassem as páginas indicadas, entre elas as de Monark, “que instigaram e divulgaram os atos criminosos investigados”.
Depois desse pedido inicial, relatórios da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontaram que o influenciador usou a plataforma Rumble para divulgar entrevista com o deputado Filipe Barros (PL-PR). O conteúdo continha informações falsas sobre a integridade das instituições eleitorais, segundo escreveu Moraes em despacho.
O magistrado emitiu, então, novo pedido de bloqueio, além de ordem para que Monark se abstivesse de publicações com informações falsas. Ele também prestou depoimento à Polícia Federal.
Segundo o ministro, vieram aos autos do processo novas informações sobre perfis ainda ativos em nome do investigado no Twitter, no Facebook, no YouTube, no TikTok e no Rumble, “por meio dos quais ele insistia em defender ideias abertamente ilegais e antidemocráticas”. Moraes também cita que o influenciador se aproveitou de falhas de moderação do Spotify para contornar bloqueios e seguir monetizando seu podcast MonarkTalks.
Para o STF, esse conjunto de condutas indica descumprimento reiterado de decisões judiciais e motivou a abertura do inquérito que teve o prazo prorrogado. Com a nova decisão, a Polícia Federal ganha mais dois meses para avançar nas diligências antes de encaminhar suas conclusões ao Supremo.
Monark era membro do podcast Flow até que, durante um debate no programa, defendeu que “o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido por lei” e que “se o cara quiser ser um anti-judeu, eu acho que ele tinha direito de ser”. As declarações culminaram em sua saída do Flow e motivaram o Ministério Público de São Paulo a denunciá-lo por discurso de ódio em 2024.
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