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USAID financiou ONGs sem controle, permitindo repasses ao Talibã.

USAID financiou ONGs sem controle, permitindo repasses ao Talibã.

13/03/2025 às 06h55
Por: Redação Fonte: Agência O Antagonista
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USAID financiou ONGs sem controle, permitindo repasses ao Talibã.

USAID financiou ONGs sem controle, permitindo repasses ao Talibã.

Auditoria aponta falha do governo americano na supervisão de bilhões de dólares enviados ao Afeganistão.

O Inspetor-Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão (SIGAR, na sigla em inglês) revelou que o Departamento de Estado e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) não monitorou adequadamente os bilhões de dólares enviados a ONGs que operam no Afeganistão.

Criado pelo Congresso dos EUA em 2008, o SIGAR é um órgão independente responsável por auditar e investigar o uso de recursos americanos destinados à reconstrução do Afeganistão.

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Desde a retirada das tropas dos EUA e a tomada do país pelo Talibã, em agosto de 2021, o governo americano continuou a financiar projetos humanitários na região, utilizando Organizações Públicas Internacionais (PIOs) para a distribuição dos recursos.

Segundo o relatório, não foram implementados mecanismos de supervisão eficazes para garantir que o dinheiro não caísse nas mãos do Talibã.

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A USAID, principal agência americana de ajuda externa, firmou contratos com ONGs sem incluir cláusulas obrigatórias que permitissem visitas de inspeção por representantes dos EUA.

Em alguns casos, a fiscalização foi terceirizada para uma empresa contratada para monitoramento remoto, mas o relatório aponta que, apesar de ter recebido pagamentos, essa empresa não realizou visitas aos locais financiados.

A falta de supervisão ficou evidente em projetos como um programa de água e saneamento operado pela UNICEF, financiado pela USAID. O órgão americano não realizou inspeções, e quando o SIGAR visitou o local, encontrou diversas irregularidades que a UNICEF não havia reportado.

O Escritório de Remoção de Armas do Departamento de Estado também financiou operações para retirada de minas terrestres sem exigir supervisão direta.

Um dos grupos beneficiados, o Serviço de Ação contra Minas da ONU, suspendeu atividades devido à interferência do Talibã, mas omitiu essa informação dos EUA por meses.

Apenas um dos cinco departamentos do governo americano analisados exigia, em contrato, que as ONGs permitissem inspeções.

Além disso, a USAID não exigia relatórios formais sobre “desvios” de recursos, termo que inclui fraude, corrupção e interferência de grupos como o Talibã.

Em 2024, o regime islâmico pressionou ONGs financiadas pelos EUA a fornecer listas de beneficiários e interferiu na seleção dos atendidos, forçando ainda a suspensão de programas de apoio a mulheres.

O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a maior parte da USAID foi encerrada e que seus programas restantes serão transferidos para o Departamento de Estado.

 

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