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Irã usou satélite espião chinês para mirar bases dos EUA, diz jornal

Irã usou satélite espião chinês para mirar bases dos EUA, diz jornal

15/04/2026 às 12h54
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney
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Irã usou satélite espião chinês para mirar bases dos EUA, diz jornal

Irã usou satélite espião chinês para mirar bases dos EUA, diz jornal.

 

Segundo o Financial Times, registros militares iranianos apontam que a Guarda Revolucionária adquiriu em 2024 o TEE-01B, fabricado e lançado pela empresa chinesa Earth Eye; Pequim nega.

O Irã adquiriu secretamente um satélite espião chinês que lhe permitiu monitorar e atacar bases militares dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio durante a guerra, revelou o Financial Times nesta quarta-feira (15), com base em documentos militares iranianos vazados. A China negou as acusações horas depois da publicação.

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O satélite, identificado como TEE-01B, foi fabricado e lançado ao espaço pela empresa chinesa Earth Eye Co e adquirido pela Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã em fins de 2024, segundo o FT. O acordo, assinado por um brigadeiro-general da Força Aeroespacial do IRGC, tinha valor de cerca de 250 milhões de renminbis, equivalente a US$ 36,6 milhões, e incluía o satélite, seu lançador, suporte técnico, infraestrutura de dados e serviços de uma “contraparte estrangeira”.

A infraestrutura terrestre de controle foi fornecida pela Emposat, empresa de Pequim com rede que se estende pela Ásia, América Latina e outras regiões. A Emposat foi identificada em relatório do Comitê China da Câmara dos Representantes dos EUA como tendo vínculos com a Força Aeroespacial do Exército de Libertação Popular. Sua fundação é atribuída a Richard Zhao, que passou 15 anos na Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, organização estatal.

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Segundo o FT, listas de coordenadas com registro de hora, imagens de satélite e análises orbitais mostram que comandantes militares iranianos direcionaram o TEE-01B para monitorar instalações americanas. O satélite teria, então, capturado imagens da Base Aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, nos dias 13, 14 e 15 de março. No dia 14, Trump confirmou que aviões americanos na base haviam sido atingidos, com cinco aeronaves de reabastecimento danificadas. O TEE-01B também teria monitorado a Base Aérea Muwaffaq Salti na Jordânia, locais próximos à sede da Quinta Frota americana no Bahrein e o aeroporto de Erbil, no Iraque, todos no entorno de ataques reivindicados pelo IRGC. Infraestrutura civil do Golfo também foi rastreada, incluindo o porto de contêineres de Khor Fakkan e uma usina de dessalinização nos Emirados Árabes Unidos.

O salto tecnológico representado pelo satélite é significativo. O TEE-01B é capaz de capturar imagens com resolução de aproximadamente meio metro, comparável às melhores imagens comerciais disponíveis no ocidente. O satélite militar iraniano mais avançado anteriormente, o Noor-3, tinha resolução estimada de cerca de 5 metros, insuficiente para identificar aeronaves ou monitorar atividade em bases militares.

“O TEE-01B expandiu significativamente a capacidade do Irã de monitorar ativos militares dos EUA”, disse ao FT Jim Lamson, ex-analista da CIA especializado no Irã e pesquisador sênior do James Martin Center for Nonproliferation Studies. “Se você é um planejador militar iraniano e tem um satélite como esse disponível para combinar com inteligência humana e imagens russas, isso é uma ferramenta poderosa.”

China nega

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, classificou as acusações de “pura fabricação” e advertiu que Pequim reagirá se os EUA impuserem tarifas com base nas alegações. “Se os EUA avançarem com aumentos tarifários sobre a China com base nessas acusações, a China responderá com contramedidas”, disse.

A embaixada chinesa em Washington disse ao FT que o país “se opõe firmemente à disseminação de desinformação especulativa e insinuante”. Os ministérios chineses de Relações Exteriores e de Defesa, a Earth Eye Co e a Emposat não responderam a pedidos de comentário da Reuters, que também informou não ter conseguido verificar as informações de forma independente.

Não é a primeira vez que o FT liga empresas chinesas de satélite ao conflito no Oriente Médio. O jornal havia reportado anteriormente que a Chang Guang Satellite Technology, empresa comercial com vínculos com o Exército chinês, forneceu imagens aos rebeldes Houthis no Iêmen para atacar navios de guerra e embarcações comerciais no Mar Vermelho.

A revelação chega dias após Trump ter ameaçado a China com tarifas de 50% caso seja comprovado que Pequim forneceu sistemas de defesa aérea ao Irã, e no mesmo dia em que Xi Jinping fez seus primeiros comentários públicos sobre a guerra, pedindo respeito ao direito internacional.

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