
Levantamento Reuters/Ipsos aponta que 82% dos republicanos creem em votos de não cidadãos e a maioria desconfia de cédulas por correio, elevando o risco de desinformação nas eleições de novembro.
WASHINGTON, 23 Abr (Reuters) – A campanha de anos do presidente Donald Trump para minar a confiança nas eleições dos EUA ganhou ampla força entre a população norte-americana, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos, o que pode criar um terreno fértil para a desinformação rumo às eleições de meio de mandato de novembro.
A pesquisa de seis dias concluída na segunda-feira mostrou divisões partidárias acentuadas sobre a confiança nas eleições, com maiorias sólidas de republicanos dizendo que a fraude é generalizada — apesar da falta de evidências para apoiar essa alegação — e defendendo a presença de policiais federais nas urnas.
Cerca de 46% dos entrevistados disseram que concordam com a afirmação de que há um grande número de cédulas fraudulentas emitidas por não cidadãos nas eleições dos EUA, com 82% dos republicanos concordando, em comparação com 18% dos democratas e 38% dos independentes.
Cerca de 53% dos entrevistados disseram que estavam preocupados com fraudes em votos por correio ou votos em ausência, em comparação com 43% que disseram que não estavam, com divisão partidária novamente aparente: 83% dos republicanos expressaram preocupação, contra 33% dos democratas.
Em conjunto, as respostas indicam que os anos de mensagens de Trump e seus aliados lançando dúvidas sobre votação repercutiram fortemente entre os republicanos, principalmente em relação às alegações de que os não cidadãos votam em números significativos e que as cédulas enviadas pelo correio não são confiáveis, apesar de repetidas auditorias e pesquisas acadêmicas constatarem que a fraude em ambos os casos é extremamente rara.
De forma mais ampla, a pesquisa sugere que muitos norte-americanos foram preparados para aceitar alegações de irregularidades nas eleições de novembro, quando os democratas são favoritos para reconquistar a Câmara dos Deputados, e o controle do Senado também estará em disputa em meio ao descontentamento dos eleitores com a guerra com o Irã e a inflação teimosamente alta.
Kelly Rader, diretora de pesquisa do States United Democracy Center, um grupo apartidário que trabalha para proteger eleições livres e justas, disse que os resultados da pesquisa Reuters/Ipsos apontam para o impacto duradouro das falsas alegações feitas por Trump e seus aliados.
‘As pessoas estão respondendo a elas, especialmente os republicanos, porque estão ouvindo os líderes em quem confiam, e isso está criando essa vulnerabilidade nas pessoas para que acreditem em mentiras sobre a eleição’, disse Rader em uma entrevista.
‘Nunca é divertido ver essas grandes divisões partidárias em crenças como a do voto de não cidadãos. Mas, felizmente, o sistema foi construído para resistir a isso, e os Estados estão prontos para as eleições de meio de mandato deste ano.’
A pesquisa online com 4.557 adultos dos EUA, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais, encontrou apoio bipartidário para exigir que os eleitores apresentem identificação oficial, com 77% apoiando a ideia, incluindo 63% dos democratas e 95% dos republicanos.
(Reportagem de Nathan Layne em Wilton, Connecticut, e Jason Lange em Washington)
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