
A destituição de José Jerí da presidência da casa legislativa, aprovada com 75 votos dos 130 parlamentares, expôs novamente a fragilidade do Executivo.
A recente movimentação política no Peru consolidou ainda mais o papel do Congresso como principal articulador de poder no país, segundo análise do Bradesco BBI. A destituição de José Jerí da presidência da casa legislativa, aprovada com 75 votos dos 130 parlamentares, expôs novamente a fragilidade do Executivo e reforçou a tendência de que as decisões centrais seguirão determinadas por negociações internas entre blocos fragmentados, conforme informações do BBI.
A troca ocorre em um momento especialmente sensível: o país avança para as eleições gerais de abril de 2026 com baixa confiança institucional, elevado ceticismo em relação à classe política e crescente pressão sobre a capacidade de governabilidade da futura administração.
Congresso consolida protagonismo político
A remoção de Jerí foi conduzida em sessão extraordinária, evidenciando a capacidade do Legislativo de reorganizar a estrutura de poder sempre que necessário. Enquanto uma nova liderança não é definida — algo que deve depender de intensas negociações entre grupos políticos —, a presidência do Congresso mantém posição central na linha de sucessão presidencial.
Para os analistas do BBI, o episódio reforça a leitura de que, até as eleições e possivelmente após elas, o Executivo permanecerá com capacidade limitada de ação, enquanto o Congresso seguirá como principal influenciador da direção política do país. Esse arranjo tende a reduzir previsibilidade institucional e tornará mais difícil implementar reformas estruturais.
Fragmentação
De acordo com pesquisa Datum de fevereiro de 2026, a disputa presidencial segue profundamente fragmentada. Rafael López Aliaga lidera com 11,9% das intenções de voto, seguido por Keiko Fujimori (9,2%) e Carlos Álvarez (5,8%). Porém, o dado mais expressivo é o elevado contingente de eleitores sem decisão: 27,6% declaram voto branco ou nulo e 14,9% permanecem indecisos.
Apenas 30% dos entrevistados afirmam ter uma escolha definida — sinal claro de descrença generalizada. Além disso, 28% dos eleitores afirmam que “todos os políticos são corruptos”, o que indica rejeição transversal e reduz a chance de consolidação de um candidato com base forte de apoio.
Esse contexto torna provável que o próximo presidente assuma com legitimidade frágil e enfrente dificuldades para formar maioria no Congresso, perpetuando o ciclo de instabilidade política entre 2026 e 2031.
Investimento vulnerável a choques
Apesar do ambiente político conturbado, os fundamentos macroeconômicos do Peru continuam sólidos. Projeções do banco central e do setor privado indicam crescimento de 3,2% a 3,3% em 2025 e aproximadamente 3,0% em 2026, com inflação próxima de 2% e bem ancorada.
Os motores da atividade incluem: mineração, setor chave para exportações;
agroexportações; construção; consumo privado, que deve contribuir com cerca de 1,4 ponto percentual do crescimento.
O pipeline robusto de investimentos em mineração e infraestrutura sustenta emprego e gera divisas, fortalecendo contas externas.
No entanto, o segmento de investimento privado não minerador segue abaixo do nível pré-pandemia — e é o mais sensível a turbulências políticas. Episódios de instabilidade institucional tendem a adiar decisões de capex, prejudicando justamente o componente da economia necessário para acelerar o PIB acima do potencial.
Cautela continua
No mercado acionário, o quadro também inspira cautela. O índice MSCI Peru, em torno de 3.750 pontos, se encontra acima do valor considerado justo pelos analistas do BBI, indicando possível queda de cerca de 12% em cenário-base. Em situações adversas — como deterioração adicional do risco político — as perdas projetadas variam entre 29% e 48%.
O cenário positivo, que sugere alta potencial de 28%, depende de um resultado eleitoral claramente pró-mercado, considerado improvável no momento atual.
Assim, a recomendação permanece underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) para ativos peruanos, dado que o mercado parece subestimar a persistência de incertezas políticas para o ciclo 2026–2031.
Ainda assim, analistas veem espaço para exposição seletiva por meio da Intercorp Financial Services (IFS), empresa negociada com desconto em relação a seus múltiplos históricos e com portfólio diversificado capaz de capturar eventual recuperação do investimento doméstico. Cabe destacar que o Bank of America também tem reiterado exposição abaixo da média para as ações peruanas.
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