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Incidente com tubarão mata adolescente em Olinda; praia já soma 6 casos

Incidente com tubarão mata adolescente em Olinda; praia já soma 6 casos

30/01/2026 às 22h52
Por: Redação Fonte: Agência CNN Noticias
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Incidente com tubarão mata adolescente em Olinda; praia já soma 6 casos

Incidente com tubarão mata adolescente em Olinda; praia já soma 6 casos.

 

Desde 1992, Pernambuco contabiliza 82 incidentes com tubarões, a maioria na Região Metropolitana do Recife; Governo de Pernambuco anuncia retomada do monitoramento científico com microchips.

adolescente Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, morreu nesta quinta-feira (29) após ser mordido por um tubarão na Praia Del Chifre, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (PE).

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O episódio é o sexto caso registrado no local, que reúne todos os incidentes com tubarões notificados no município, incluindo duas mortes, a primeira ocorrida em 2006.

Desde 1992, Pernambuco contabiliza 82 incidentes com tubarão, principalmente na Região Metropolitana do Recife, segundo o CEMIT (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão).

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Na Praia Del Chifre, todas as vítimas foram do sexo masculino, em sua maioria surfistas ou jovens banhistas. Os registros de ferimentos graves se repetem há décadas: considerada área de restrição para atividades náuticas desde 2004, a praia mantém alto grau de risco.

“A correnteza vem sentido Marco Zero, bate na boca da barra, faz um loop e chega à praia. Além da matéria orgânica, a profundidade do local também contribui para que os tubarões se aproximem”, explica o professor.

O especialista enfatiza que a presença frequente de surfistas e banhistas aumenta o risco de incidentes e que, muitas vezes, a população ignora as sinalizações de alerta.

Em nota, o governo estadual informou que instalou 150 novas placas em áreas de risco, das quais 13 estão em Olinda e quatro na Del Chifre, mas, segundo o professor André Maia, boa parte delas foi depredada ou arrancada, o que dificulta a prevenção.

“Estávamos há quase três anos, a 20 dias de completar três anos sem incidentes com tubarões. Temos mais de 150 km de orla, mas apenas 22 km apresentam risco elevado. É preciso união entre a sociedade e o poder público, orientação aos pais e conscientização das crianças para evitar acidentes”, alerta.

No caso de Deivson Rocha Dantas, a gravidade do incidente foi acentuada pela localização da mordida, na base da coxa direita, próxima ao tronco, o que impossibilitou a aplicação de torniquete e provocou hemorragia intensa. De acordo com informações do Hospital do Tricentenário, o menino deu entrada na unidade de saúde sem vida. Segundo Maia, a lesão provavelmente foi causada por um tubarão cabeça-chata.

O biólogo ressaltou, ainda, a importância de ações de conscientização. O surfista André Sthwart, vítima de uma mordida em 2023 na mesma praia, hoje trabalha em campanhas locais, mostrando à população que tubarões estão presentes e que certas áreas devem ser evitadas para banho e esportes aquáticos.

Monitoramento dos tubarões

O CEMIT mantém medidas preventivas contínuas, como o reforço de guarda-vidas, rondas em embarcações e a instalação de placas de alerta nas praias. O presidente do comitê e Secretário Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Daniel Coelho, anunciou recentemente o lançamento do Edital de Monitoramento de Tubarões no Litoral de Pernambuco, ação que marca a retomada do monitoramento na Região Metropolitana do Recife, interrompido desde 2015.

“Com o microchip nos tubarões, vamos ter online a movimentação e a quantidade de animais no nosso litoral, ajudando a prever acidentes e informar a população de forma correta”, afirmou Coelho. A iniciativa destina-se a pesquisadores vinculados a instituições científicas do estado e prevê investimento de R$ 1,052 milhão para a execução, em 24 meses.

Atualmente, o monitoramento contínuo ocorre apenas em Fernando de Noronha, realizado pela UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) em parceria com a administração da ilha. Com o edital, a atuação será ampliada ao litoral continental. Segundo o CEMIT, os resultados permitirão identificar zonas de risco, atualizar dados científicos e aprimorar estratégias de prevenção e de comunicação com a população.

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