
"A gente sabe a vida que levava, mas tinham mandados para ele. Por que não cumpriram?", disse, revoltada, uma viúva.
Parentes de parte das 117 pessoas mortas na megaoperação ocorrida nesta terça-feira nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, na terça-feira — segundo a Polícia Civil todas suspeitas de tráfico —, se dividiram nesta quinta-feira (30) entre o Instituto Médico-Legal (IML), no Centro da cidade, e o posto do Detran ao lado para reconhecer e liberar os corpos.
Entre eles, estava a esposa de um dos soldados do Comando Vermelho (CV) morto durante o confronto, que contou como recebeu as últimas mensagens do marido antes de ele ser baleado. O cadáver dele foi um dos retirados da região de mata conhecida como Vacaria.
“Ele me mandou mensagens e me ligou às 15h da quarta-feira dizendo que ia se render porque não tinha jeito. Meu marido ia se render e mataram ele,” relatou a viúva, que preferiu não se identificar.
Natural do Pará, o homem conhecido pelo vulgo DW, de 28 anos, era um dos soldados de linha de frente do tráfico, segundo parentes. Ele chegou a ser atingido por um tiro na perna antes de morrer.
“Eu fui achar o corpo dele na mata. Os colegas que estavam com ele trouxeram o corpo. A gente sabe a vida que levava, mas tinham mandados para ele. Por que não cumpriram?”, disse, revoltada, a viúva.
Ainda segundo ela, o número de mortos pode aumentar. Assim que terminou de falar, uma das amigas da mulher recebeu a notícia de que o corpo do próprio marido havia sido encontrado.
Acharam ele, amiga. Acharam ele na mata, morto, todo desfigurado, contou.”
De acordo com o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, pelo menos 33 dos 113 presos durante a operação são de outros estados. Só para o Pará, a Justiça expediu cerca de 30 mandados de prisão.
A ação, que deixou 121 mortos — entre eles quatro policiais — foi planejada por cerca de 60 dias e teve como um dos diferenciais o chamado “muro do Bope”, estrutura que bloqueou as rotas de fuga pela mata entre as comunidades do Alemão e da Penha.
“Antes dessa operação, até o final de setembro, só a Polícia Civil havia apreendido 449 lideranças de fora do estado em cerca de um ano, fora a Polícia Militar, que também prendeu centenas”, afirmou Curi.
Segundo ele, o dado reforça que parte dos integrantes do Comando Vermelho no Rio veio de fora do estado para reforçar a atuação da facção na capital.
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