Sol “acorda” após décadas de baixa atividade e surpreende cientistas da Nasa.
Novo estudo aponta aumento inesperado na atividade solar desde 2008, com possíveis impactos em satélites, comunicações e redes elétricas na Terra.
A Nasa anunciou que o Sol vem apresentando um aumento significativo de atividade nos últimos 16 anos, revertendo uma tendência de queda que durou décadas e surpreendendo a comunidade científica.
Continua após a publicidade
A descoberta, publicada no início de setembro no Astrophysical Journal Letters, foi conduzida pelos pesquisadores Jamie Jasinski e Marco Velli, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência espacial norte-americana.
Até agora, acreditava-se que o astro entraria em um período prolongado de baixa intensidade, conhecido como “mínimo solar profundo”.
Continua após a publicidade
Entre os anos 1980 e 2008, medições indicavam um enfraquecimento constante do vento solar e do campo magnético, levando especialistas a prever um ciclo de inatividade histórica.
No entanto, desde 2008, observações mostram um aumento nas ejeções de plasma e no fortalecimento do campo magnético em todo o sistema solar.
Esse “despertar” do Sol ocorre durante o atual Ciclo Solar 25, iniciado em 2020, que sucedeu o ciclo mais fraco registrado em um século.
O crescimento da atividade solar pode ter efeitos diretos no chamado clima espacial, aumentando a frequência de tempestades solares, erupções e ejeções de massa coronal.
Esses fenômenos representam riscos para satélites, missões espaciais e astronautas, além de poderem afetar sistemas terrestres como redes elétricas, GPS e comunicações via rádio.
Em maio de 2024, por exemplo, a Terra enfrentou a tempestade geomagnética mais intensa em mais de 20 anos, que fez a aurora boreal ser vista até no México.
Para monitorar e prever melhor esses eventos, a Nasa e a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) planejam lançar novas missões, como o Interstellar Mapping and Acceleration Probe (IMAP) e o Carruthers Geocorona Observatory, além do satélite SWFO-L1.
Essas iniciativas visam aprimorar a compreensão do ambiente espacial e proteger tanto operações tecnológicas quanto a saúde de astronautas, especialmente no contexto do programa Artemis, que prevê o retorno de humanos à Lua.
O próximo ciclo solar, o de número 26, deve começar entre 2029 e 2032, mas ainda não há previsões sobre sua intensidade.
Enquanto isso, cientistas reforçam a importância de acompanhar de perto as mudanças no comportamento do Sol, já que tempestades solares severas têm potencial para causar apagões, interromper serviços de internet e comprometer sistemas de comunicação em escala global.