Está circulando nas redes sociais um vídeo em que o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, supostamente recomenda um cartão de crédito chamado Blue Bird, que prometia até R$ 5 mil de limite mesmo para negativados. A publicação fraudulenta ganhou tração com promessas chamativas e linguagem acessível, mas a informação é falsa.
Segundo apuração do Estadão Verifica, o vídeo original foi publicado em setembro de 2024 e não tem qualquer relação com a oferta de cartão. Na gravação real, Ratinho comenta sobre o episódio em que José Luiz Datena teria atingido Pablo Marçal com uma cadeira durante um debate político. O áudio do material que circula online foi manipulado com tecnologia de inteligência artificial, o que caracteriza mais um caso clássico de desinformação digital.
A farsa não se limita ao vídeo adulterado. O golpe envolve um site fraudulento que simula uma plataforma de solicitação do suposto cartão Blue Bird. Para dar continuidade ao processo, os golpistas pedem informações sensíveis como nome completo e CPF.
Usuários que clicam no link acabam sendo direcionados a uma página que também exige pagamentos de taxas, como frete e ativação da conta. Em sites de reclamação, há relatos de vítimas que foram cobradas por supostos “cancelamentos” superiores a R$ 100, mesmo sem receber qualquer produto ou serviço.
O objetivo real por trás do golpe é capturar dados financeiros das vítimas e, em alguns casos, instalar malwares — programas maliciosos que podem roubar informações ou danificar dispositivos.
Durante a checagem, não foi possível encontrar qualquer empresa legítima que ofereça serviços com o nome “Blue Bird” nos moldes apresentados no vídeo. Ou seja, o cartão citado simplesmente não existe.
A utilização da imagem de figuras públicas como Ratinho é uma prática comum entre golpistas para aumentar a credibilidade de suas ofertas falsas. Personalidades conhecidas, principalmente da televisão, são frequentemente alvo desse tipo de manipulação, pois têm grande apelo junto ao público.
Ferramentas de inteligência artificial têm sido usadas com frequência para criar vídeos falsos que imitam vozes e expressões faciais de celebridades. O vídeo de Ratinho é um exemplo dessa tendência perigosa.
O Estadão Verifica utilizou uma ferramenta que detecta manipulação digital e confirmou que o áudio do conteúdo foi alterado. Especialistas alertam que essa prática, além de disseminar desinformação, compromete a integridade de figuras públicas e coloca os usuários em risco de fraudes.
A postagem investigada é um exemplo clássico de phishing — tática que engana usuários para roubar dados ou instalar softwares maliciosos. Veja algumas orientações para evitar cair nesse tipo de armadilha:
Se você foi vítima de um golpe, denuncie e procure orientação jurídica. O combate à desinformação depende da atenção coletiva. E lembre-se: se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é fraude.
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