
Governo inclui financiamento estudantil em programa que pode renegociar até R$ 120 bilhões.
O governo federal lança, nesta segunda-feira (4), uma nova fase do Desenrola Brasil com dois objetivos centrais: reduzir o nível de endividamento das famílias e reaproximar o Planalto de um eleitorado jovem que tem mostrado maior resistência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A inclusão das dívidas do Fies no programa está no centro dessa estratégia.
O estoque de débitos do financiamento estudantil ultrapassa R$ 120 bilhões, segundo dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Hoje, 65,1% dos 2,47 milhões de contratos ativos estão inadimplentes, o que coloca pressão tanto sobre os estudantes quanto sobre a capacidade do programa de financiar novas vagas.
A proposta do Desenrola 2.0 prevê renegociação com juros limitados a 1,99% ao mês e descontos entre 30% e 90%. O formato específico para o Fies ainda está em definição, mas o governo avalia editar uma medida provisória para viabilizar a inclusão dessas dívidas.
A inadimplência no programa cresceu de forma consistente ao longo da última década. Em 2014, o índice era de cerca de 31%. Em 2026, o patamar atual indica que quase dois em cada três contratos estão em atraso. O problema é mais intenso nas regiões Norte e Nordeste, onde os índices superam 70%.
O movimento ocorre em meio a sinais de desgaste do governo entre os mais jovens. Pesquisas recentes indicam aumento da rejeição nessa faixa etária, que foi base relevante de apoio em eleições anteriores. Levantamentos mostram empate técnico nas intenções de voto e avanço de candidatos da direita quando considerados outros nomes do campo.
A leitura dentro do governo é que o peso das dívidas no orçamento tem limitado a percepção de melhora econômica. A renegociação de passivos, especialmente em linhas como o Fies, passa a ser vista como instrumento para liberar renda e melhorar o ambiente político.
O Desenrola 2.0 mantém o foco nas dívidas mais caras, como cartão de crédito e crédito pessoal, mas amplia o alcance ao incluir o financiamento estudantil. A expectativa é reduzir a inadimplência, aliviar o orçamento das famílias e destravar o crédito para novos estudantes.
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