
A Secretaria Municipal de Educação (Smed), por meio do Núcleo Pedagógico da Educação de Jovens e Adultos (EJA), está trabalhando na implantação do projeto “Cartas que Libertam”, a ser desenvolvido com detentos de Vitória da Conquista. Para aplicação do projeto, aequipe do Núcleo Pedagógico da Smed se reuniu com professores que participam da educação prisional para um diálogo pedagógico sobre ressocialização de detentos. O encontro aconteceu no Centro Municipal de Formação Educacional Prof. Raymundo Vianna.

Durante a reunião foram definidas as etapas do projeto que incluem a realização de encontros adaptados ao ritmo e às necessidades de cada grupo, além da seleção e organização de materiais de apoio que serão disponibilizados aos participantes.
O objetivo é que ao final do projeto seja produzido um livro com as cartas e reflexões anônimas de cada detento para ser exposto em eventos pedagógicos, ressaltando o potencial transformador da educação em contextos de privação de liberdade.

Elisabete dos Santos Silva
De acordo com a coordenadora da modalidade EJA do Núcleo Pedagógico da Smed, Elisabete dos Santos Silva, o processo educacional deve ser diferenciado no sistema prisional. “Estamos trazendo a perspectiva de ver os detentos não apenas como pessoas com privação de liberdade, mas como estudantes, como pessoas que também têm direito à educação. Nós pensamos, a princípio, em trabalhar com as cartas pedagógicas baseada na metodologia de Paulo Freire, que permeia o processo de construção, conhecimento, sensibilização e escuta”.
A professora Jucineide Brito de Sousa Gomes ensina no sistema prisional de Vitória da Conquista. Para ela, esta é a oportunidade para que os alunos possam expressar seus conhecimentos e contar suas histórias de vida. “A gente sabe que a educação prisional para eles não é só ressocialização, eles veem também como redução de pena. Mas, algo que eu percebo é que eles se dedicam, estudam e fazem as atividades que a gente propõe. Muitos estão interessados em realmente aprender e o projeto das cartas vai reforçar ainda mais isso”.
“É de muita valia esses momentos de formação, de aprimoramento do nosso trabalho pedagógico. A gente está sempre inovando, buscando meios para fazer com que o nosso trabalho tenha mais êxito e sucesso. Então, tudo que vem para a gente como formação, como ideias, para somar com o nosso trabalho, é bem-vindo e de muita gratidão”, comentou a professora de educação prisional na modalidade EJA, Lucélia Vieira dos Santos.
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