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Múmias com línguas de ouro encontradas no Egito revelam por que os egípcios temiam falecer sem voz.

Múmias com línguas de ouro encontradas no Egito revelam por que os egípcios temiam falecer sem voz.

25/04/2026 às 20h46
Por: Redação Fonte: Agência Revista Oeste
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Múmias com línguas de ouro encontradas no Egito revelam por que os egípcios temiam falecer sem voz.

Múmias com línguas de ouro encontradas no Egito revelam por que os egípcios temiam falecer sem voz.

 

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Em dezembro de 2024, uma equipe da Universidade de Barcelona escavava o sítio arqueológico de Al-Bahnasa, no centro do Egito, quando encontrou algo que raramente aparece em tumbas: múmias com lâminas de ouro moldadas em formato de língua, colocadas diretamente na boca dos mortos. Das 52 múmias encontradas, 13 tinham esse detalhe, e a explicação por trás da prática revela muito sobre como os egípcios encaravam a morte.

Por que os egípcios colocavam ouro na boca dos mortos?

A prática não era decorativa. Segundo Mohamed Ismail Khaled, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, as línguas de ouro tinham uma função simbólica precisa: garantir que o morto pudesse falar com Osíris, senhor do submundo na cosmologia egípcia, no momento do julgamento da alma.

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Segundo o Science Alert, o ouro foi escolhido por sua incorruptibilidade. O metal que não enferruja nem apodrece era a metáfora ideal para a voz que deveria persistir além da morte, lógica que também explicaria outra descoberta rara no mesmo sítio: unhas de mãos e pés recobertas de folha de ouro, numa extensão do princípio de proteção ao corpo inteiro.

Além das línguas e unhas de ouro, os pesquisadores encontraram um conjunto raro de artefatos funerários bem preservados

 

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O que foi encontrado dentro das tumbas de Al-Bahnasa?

As tumbas foram escavadas diretamente na rocha natural abaixo do solo e estavam intactas. Além das línguas e unhas de ouro, os pesquisadores encontraram um conjunto raro de artefatos funerários bem preservados:

  • Inscrições rituais coloridas nas paredes com cenas de deuses e do processo de mumificação
  • Amuletos e escaravelhos depositados junto aos corpos
  • Jarras canopos usadas para guardar os órgãos internos dos mortos

É a primeira vez que tumbas romanas de alto status são identificadas no sítio de Al-Bahnasa. Muitos dos artefatos encontrados, incluindo as línguas e as unhas de ouro, são inéditos na região.

Qual é o contexto histórico por trás das múmias com línguas de ouro?

Os túmulos pertencem ao período Ptolemaico (305 a.C. – 30 a.C.), quando o Egito era governado por uma dinastia descendente de um dos generais de Alexandre, o Grande. É um período de intensa fusão entre práticas funerárias egípcias tradicionais e influências gregas e romanas.

A Universidade de Barcelona, responsável pela escavação junto ao Instituto para o Estudo do Antigo Oriente Próximo, destaca que esse contexto ajuda a explicar tanto a sofisticação dos ritos quanto o uso de materiais preciosos em indivíduos de alto status social.

Essa não foi a única vez que arqueólogos encontraram múmias com língua de ouro no Egito

Em 2021, uma equipe egípcio-dominicana liderada pela arqueóloga Kathleen Martinez encontrou uma múmia com língua de ouro em Taposiris Magna, templo dedicado a Osíris, próximo a Alexandria. Naquele sítio, 16 sepulturas escavadas na rocha foram identificadas, com moedas decoradas com o rosto de Cleópatra VII.

O canal Ciência News documentou essa descoberta em detalhes, mostrando os artefatos encontrados no local e o contexto histórico do período ptolemaico no vídeo a seguir:

O que a tomografia das múmias confirmou sobre a prática?

Uma publicação científica de 2023 na PMC/NIH documentou, por tomografia computadorizada, a presença de um amuleto de língua de ouro na boca do chamado “Golden Boy”, múmia de cerca de 2.000 anos submetida a exame de imagem completo. O resultado confirmou que a prática estava distribuída por diferentes regiões e épocas do Egito antigo, e não era um costume isolado de uma única dinastia.

As línguas de ouro de Al-Bahnasa reforçam que o costume tinha uma lógica religiosa coerente e difundida entre as elites egípcias na virada da era.

O que as múmias revelam sobre a visão egípcia da morte?

Para os egípcios, a morte não era o fim da identidade. Era uma passagem que exigia preparação, proteção e, acima de tudo, a capacidade de se comunicar com os deuses. Segundo a BBC, práticas como a língua de ouro mostram que a voz era considerada uma das faculdades mais importantes a preservar no além.

O conjunto de descobertas em Al-Bahnasa amplia o entendimento sobre a diversidade dos ritos funerários ptolemaicos e reforça que práticas antes consideradas raras tinham, na verdade, uma lógica religiosa sólida e bem estabelecida entre as elites do Egito antigo

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