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Especialista explica o que pode ter causado a explosão no motor do avião da Delta em Guarulhos

Especialista explica o que pode ter causado a explosão no motor do avião da Delta em Guarulhos

02/04/2026 às 20h31
Por: Redação Fonte: Agência Aeroin
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Especialista explica o que pode ter causado a explosão no motor do avião da Delta em Guarulhos

Especialista explica o que pode ter causado a explosão no motor do avião da Delta em Guarulhos.

 

Com mais imagens surgindo do caso do Airbus A330 da Delta que teve explosões no motor logo após decolar de Guarulhos no último domingo, 29 de março, um especialista no assunto e investigador aposentado comentou o caso.

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A aeronave A330-300 teve uma falha catastrófica no motor PW4000 do lado esquerdo logo após sair do chão. O jato da Delta teve pequenas explosões dentro do motor, e labaredas de fogo foram vistas saindo do propulsor. Após desligarem os motores, os pilotos retornaram imediatamente para o aeroporto, pousando em emergência e sendo assistidos pelos bombeiros, que resfriaram a aeronave. Um pequeno incêndio também ocorreu no gramado ao lado da pista, em consequência dos destroços soltos pelo motor em alta temperatura.

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Novas imagens mostraram um pouco mais de detalhes dos danos causados no motor esquerdo, e o AEROIN as enviou para Juan Browne “Blancolirio“, comandante de Boeing 777 e, anteriormente, da Força Aérea Americana (USAF), tendo, inclusive, voado caças F-4 Phantom e sido parte da equipe de investigação militar de acidentes aéreos. Ele é conhecido no YouTube pelas explicações técnicas e considerações em investigações aeronáuticas, tendo, inclusive, comentado fatores que foram colocados no relatório preliminar de um avião aeromédico que caiu nos EUA, sendo bastante respeitado no setor por explicações simples, rápidas e sem especulações.

Analisando o material enviado, Blancolirio destaca que “é claramente que houve uma queimadura através da carenagem externa do motor. Você vê várias palhetas faltando, e também um disco e estatores“.

Os estatores são partes fixas do motor, que têm formato aerodinâmico e direcionam o fluxo de uma seção para outra, colocando o ar exatamente na posição da lâmina do compressor ou da turbina, deixando o fluxo mais rápido e menos turbulento, aumentando a eficiência do processo.

Eu acredito que esta é a quarta fase da turbina de baixa pressão (LPT). São quatro fases, quatro setores na turbina de baixa pressão neste motor. Então, eu acredito que estamos olhando entre a terceira e a quarta fase“, afirmou Blancolirio.

O especialista destaca que esta última parte da LPT gira um eixo interno que faz rodar o próprio fan (ventilador), que capta o ar, e também o compressor de baixa pressão, que é a primeira etapa pela qual o ar passa após ser sugado para a seção interna de um motor turbofan.

Como várias partes do motor, incluindo partes do disco, estatores e lâminas, saíram para fora da carenagem, Blancolirio considera que o caso se trata de uma “falha de motor não contida“. Ele compara com casos anteriores de falhas neste motor, e também de ações corretivas recomendadas pela autoridade aeronáutica civil americana (FAA), porém, na maioria dos eventos passados, o problema estava no fan, e não na LPT. Das ações de correção, todas foram emitidas já a muitos anos e adotadas pela indústria, apontando que o que aconteceu em Guarulhos, é de fato, inédito.

Dos casos envolvendo problemas na LPT, todos resultaram em falha de motor contida, com os destroços gerados sendo lançados para trás do motor e saindo pela parte traseira do cone de exaustão, e não perfurando a estrutura. O caso mais similar é o de um A330-200 da Vietnam Airlines, que teve um problema praticamente igual durante a decolagem em 2014, na Austrália. Porém, nesse caso, as perfurações decorrentes da falha da LPT se limitaram a componentes internos, não causando a saída lateral dos destroços.

Nesse caso da Austrália, não foi possível determinar com exatidão o que causou a falha do componente, porém é apontado que ele estava com um alto número de horas, ou seja, no final de sua vida útil, mas ainda dentro do tempo de uso previsto pelo manual e certificado junto à autoridade aeronáutica. Foi destacada a pronta ação da tripulação para lidar com o caso, em que os pilotos vietnamitas seguiram o manual e conseguiram retornar a aeronave em segurança, assim como os pilotos da Delta fizeram com precisão em São Paulo.

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