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MPPE aciona Justiça para frear avanço imobiliário em Tamandaré

MPPE aciona Justiça para frear avanço imobiliário em Tamandaré

10/03/2026 às 20h35
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco
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MPPE aciona Justiça para frear avanço imobiliário em Tamandaré

MPPE aciona Justiça para frear avanço imobiliário em Tamandaré.

 

Município pode receber 13,5 mil novas unidades habitacionais sem atualização do Plano Diretor, segundo o órgão.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) está cobrando na Justiça que Tamandaré, no Litoral Sul, adote medidas para garantir que a expansão imobiliária da cidade ocorra de forma planejada e sustentável, com base em um Plano Diretor atualizado, estudos técnicos e participação popular.

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A exigência ocorre diante da informação de que cerca de 13,5 mil unidades habitacionais devem ser entregues no município em três anos, fazendo com que a população sazonal ultrapasse os 23.561 moradores registrados no Censo de 2022.

ntes ou de interesse turístico e deve ser revisado a cada dez anos, conforme o Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001). Em Tamandaré, no entanto, a legislação vigente é de 2002 e ainda não passou pela revisão prevista.

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Segundo o MPPE, a Promotoria identificou que o município editou ao longo dos anos leis urbanísticas pontuais e fragmentadas, sem estudos técnicos adequados nem participação popular, além de alterações feitas sem a participação do Conselho Municipal de Desenvolvimento e de Política Urbana.

O Ministério Público também recebeu relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontando desafetação, alienação e transferência irregulares de áreas públicas municipais.

Em fevereiro de 2025, o Grupo de Atuação Conjunta Especializado (GACE) Praias passou a acompanhar o caso e emitiu recomendação ao prefeito, à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e à Câmara Municipal.

Entre as medidas sugeridas estava a suspensão da aprovação de novos projetos e licenças urbanísticas até a publicação de um novo Plano Diretor. À Câmara foi recomendado concluir, em até três meses, as audiências públicas sobre o projeto de revisão da lei. Já à CPRH foi solicitada a suspensão de licenças ambientais prévias. O órgão acatou parcialmente a recomendação e suspendeu as licenças por 180 dias, período já encerrado.

Segundo o MPPE, o objetivo é evitar que o município enfrente colapso na infraestrutura, com sobrecarga em serviços como abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos, mobilidade, segurança e preservação ambiental.

Como o Plano Diretor não foi atualizado e as recomendações não foram totalmente atendidas, o MPPE ingressou com ação civil pública na Vara de Justiça de Tamandaré pedindo medidas urgentes. O pedido foi negado em primeira instância, e o órgão recorreu ao Tribunal de Justiça de Pernambuco por meio de agravo de instrumento, que deve ser julgado pela 2ª Câmara de Direito Público no dia 19 de março.

Para o Ministério Público, a ausência de planejamento urbano pode provocar danos socioambientais e urbanísticos irreversíveis.

O Diario de Pernambuco entrou em contato com a Prefeitura de Tamandaré e aguarda retorno.

GACE

Criado em 2024, o GACE Praias atua no monitoramento de empreendimentos na zona costeira de Pernambuco, especialmente nos municípios de Ipojuca, Tamandaré e Sirinhaém, com foco na preservação ambiental, no ordenamento urbano e na garantia de acesso público às praias.

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