
A guerra no Irã começa a ter reflexos diretos no setor de semicondutores.
Desde o início dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, as grandes fabricantes de chips de memória viram seu valor de mercado encolher, enquanto enfrentam riscos de interrupção no fornecimento de materiais essenciais vindos do Oriente Médio.
As empresas sul-coreanas Samsung Electronics e SK Hynix foram as mais afetadas. Juntas, as duas companhias perderam mais de US$ 200 bilhões em valor de mercado desde o início do conflito, segundo dados citados pela CNBC. Apesar de uma recuperação parcial das ações, investidores continuam atentos aos possíveis efeitos do conflito sobre a cadeia global de suprimentos de chips.
A preocupação não se limita às empresas. O fundo ETF VanEck Semiconductor, que acompanha o desempenho do setor de semicondutores, chegou a cair cerca de 3% desde o início da guerra. Parte das perdas foi recuperada após alta de 3,6% registrada em um pregão recente.
Especialistas apontam que o risco principal está na dependência dos insumos vindos do Oriente Médio. Caso a guerra se prolongue, a produção de chips pode ser afetada tanto por interrupções no fornecimento de materiais quanto pelo aumento dos custos de energia.
Conforme reportado pelo Olhar Digital, entre os materiais considerados mais vulneráveis está o hélio, gás utilizado em diversas etapas da fabricação de semicondutores – e que não tem substitutos viáveis. A preocupação aumenta porque uma parcela significativa da oferta global do elemento está concentrada no Oriente Médio: de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), cerca de 38% dele no mundo vem do Catar.
Além da produção, a logística também preocupa. Grande parte das exportações do Golfo passa pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica. Caso o tráfego na região seja interrompido por um período prolongado, mais de 25% da oferta global de hélio poderia ser retirada do mercado. Essa é a avaliação de Phil Kornbluth, presidente da Kornbluth Helium Consulting, em entrevista à CNBC.
Outro insumo relevante é o bromo, utilizado em processos químicos da produção de semicondutores. Aproximadamente dois terços da produção mundial do elemento vêm de Israel e Jordânia, países diretamente ligados à região afetada pelo conflito.
Para Ray Wang, analista de memória da SemiAnalysis, “um conflito regional prolongado poderia potencialmente interromper as operações de fabricação de chips em relação ao fornecimento de materiais como hélio e bromo”. Ele avalia que o impacto imediato ainda é limitado, mas que uma escalada prolongada da crise pode causar interrupções no fornecimento.
As oscilações nas ações da Samsung e SK Hynix está ligada ao papel central dessas empresas na indústria global de memória – um segmento que se tornou ainda mais estratégico com a expansão da inteligência artificial.
As duas companhias são líderes mundiais na produção de chips de memória, componentes essenciais para dispositivos eletrônicos como smartphones e computadores. Nos últimos anos, porém, esses semicondutores passaram a ter um papel ainda mais crítico nos data centers usados para treinar e operar sistemas de IA.
Os investimentos massivos das empresas de tecnologia nessas infraestruturas impulsionaram a demanda, o que levou ao aumento nos lucros e nas ações das fabricantes. Agora, as incertezas geopolíticas preocupam investidores.
Analistas destacam que, a curto prazo, Samsung e SK Hynix ainda possuem estoques suficientes e contratos de fornecimento garantidos para seguir desenvolvendo seus chips de IA. Mesmo assim, o conflito prolongado pode alterar esse cenário – justamente o que levou à reação negativa do mercado nas últimas semanas.
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