
“Ser artesã significa empreender e trabalhar em parceria com a natureza”, afirma Léia Alves. O ofício transformou sua vida desde que chegou a Miracatu, no Vale do Ribeira, na região administrativa de Registro. Entre camadas do tronco da bananeira, texturas e conhecimento quilombola, ela encontrou uma profissão e uma rede de mulheres que vivem da prática manual, trajetória que hoje integra o Programa Empreendedor Artesão, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), iniciativa estadual que oferece qualificação, orientação para formalização e acesso a linhas de crédito aos artesãos paulistas.
No município, ela conheceu a Banarte, associação que preserva técnicas ancestrais de extração e trançado das fibras de bananeira, matéria-prima abundante na região. É nesse espaço que novas artesãs se preparam para atuar no mercado.
Segundo Léia, o programa da SDE amplia as oportunidades para que essas mulheres empreendam e conquistem autonomia financeira. “Capacitamos pessoas que precisam conquistar o próprio sustento. Com o programa, elas conseguem colocar o produto no mercado e alcançar novos clientes. Com a Carteira do Artesão, podemos participar de mais eventos e editais”.
A “transmissão de saberes” dentro da associação abrange desde a identificação das fibras presentes em cada parte da bananeira até o domínio das técnicas de trançado e tecelagem nos teares. Esse aprendizado coletivo se mantém pelo trabalho entre as artesãs da cidade e as mulheres da zona rural, todas capacitadas para atuar nas diferentes etapas do processo, da extração e preparo das fibras à confecção das peças.

O processo começa no campo. Depois que o cacho da banana é colhido, o caule da bananeira é retirado para a extração da fibra. Ele é formado por várias camadas, das quais se obtêm cinco diferentes tipos de fibras, cada uma com características próprias.
A extração e a desidratação das fibras são feitas de forma manual, etapa que sustenta o início de toda a cadeia produtiva. A associação reúne 20 artesãs diretamente e conta com a participação de cerca de 50 famílias da zona rural, compostas majoritariamente por mulheres.
“A fibra de bananeira é a base do nosso trabalho e um símbolo de resistência. Os humanos nasceram para criar. Nosso maior legado não é o que somos, mas sim o que trazemos à existência”, reflete a paulistana Léia, de 48 anos.
Estruturado para atender às principais demandas da categoria, o programa reúne pilares para o fortalecimento da atividade:
– Formalização: emissão da Carteira do Artesão em nível estadual e nacional; orientação para formalização de negócios (MEI, cooperativas e associações); e atendimento itinerante em 2026 por região administrativa;
– Qualificação: cursos presenciais e on-line voltados à gestão, marketing, vendas e uso de ferramentas digitais; capacitação técnica em diferentes modalidades de artesanato; e cursos de inclusão digital, e-commerce e pagamentos on-line.
– Acesso ao crédito: linhas de financiamento para artesãos por meio do Banco do Povo Paulista e da Desenvolve SP, com condições facilitadas para ampliar e modernizar os negócios.
Conheça mais sobre o programa Empreendedor Artesão: https://www.desenvolvimentoeconomico.sp.gov.br/DesenvolvimentoEconomico/institucional/Programas/empreendedor-artesao
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