
O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires (HMDJMP) retomou nesta semana a Terapia Assistida por Animais (TAA), uma quebra na rotina hospitalar com a primeira visita de 2026, levando acolhimento e fortalecendo vínculos entre pacientes, familiares e profissionais de saúde por meio da interação com os cães terapeutas do projeto.
A ação integra o Projeto de Ensino e Extensão intitulado “Inovação nos modos de cuidar: a Terapia Assistida por Cães como estratégia humanizadora de cuidado para pacientes, familiares e profissionais no contexto hospitalar”, implantado em outubro de 2024 na unidade hospitalar. Desenvolvido em parceria com instituição de ensino superior, o projeto envolve docentes, estudantes, médicos-veterinários e tutores voluntários.
De acordo com a psicóloga do HMDJMP e docente responsável pelo projeto, Helena Diu, a proposta tem como objetivo implantar a TAA como estratégia terapêutica complementar, promovendo benefícios físicos, psicológicos, emocionais, sociais e cognitivos a pacientes, familiares e profissionais.
Segundo ela, as visitas contribuem para a construção de um ambiente mais acolhedor, favorecendo a troca afetiva e lúdica, além de estimular a integração entre equipes assistenciais e multiprofissionais.
O coordenador de Psicologia do Hospital Metropolitano, Danillo Teodózio, destaca os impactos observados ao longo do primeiro ano do projeto. “Percebemos uma mudança significativa na cultura organizacional, especialmente no que se refere ao bem-estar dos profissionais, pacientes e acompanhantes. A hospitalização é um momento marcado por medo e afastamento do convívio social. Quando os cães chegam, o ambiente se transforma. Os pacientes se emocionam, compartilham histórias e se sentem mais à vontade”, afirmou.
Ele ressalta que a experiência favorece o fortalecimento do vínculo entre paciente e equipe de saúde, estimulando a comunicação e a participação ativa no próprio processo de cuidado. “Muitas vezes, a visita cria um novo ponto de diálogo. O paciente passa a se comunicar melhor com a equipe, compreende melhor as intervenções realizadas e participa de forma mais consciente do tratamento”, explicou.
A equipe também articula o desenvolvimento de pesquisa científica sobre os impactos da TAA no ambiente hospitalar, em parceria com o Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Saúde Pública da Paraíba, com o objetivo de produzir dados que subsidiem a consolidação da prática.
Entre os pacientes que receberam a visita está Antônio Vicente da Silva, de 63 anos, residente de Santa Rita, que se encontrava em processo de recuperação cirúrgica. Para ele, a experiência foi marcante. “Ela é mansinha, amiga, muito carinhosa. A gente fica até mais animado. Um momento desse faz diferença, ajuda a distrair a cabeça e deixa o coração mais leve”, relatou.
As visitas ocorrem mensalmente, geralmente na última segunda-feira de cada mês, com planejamento prévio e alinhamento junto aos setores responsáveis pela logística e segurança institucional.
Na primeira visita de 2026, apenas a cadela Hannah, da raça Pastor Alemão, esteve presente, acompanhada pelo seu responsável, voluntário do projeto. O cão Nego, da raça Labrador, que também integra a equipe, participa das visitas regularmente e é sempre aguardado com entusiasmo pelos pacientes e profissionais.
Os animais passam por rigorosos critérios de seleção e treinamento, sendo avaliados quanto ao comportamento dócil e à capacidade de adaptação ao ambiente hospitalar. Antes de cada visita, é verificada a regularidade da vacinação, vermifugação e higienização, realizada com antecedência mínima de 24 horas.
O projeto conta com o suporte do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), que acompanham a definição dos fluxos e rotas, garantindo o cumprimento dos protocolos sanitários.
O roteiro inclui setores como recepções, ambulatórios e enfermarias (pediátrica, neurológica, cardiológica e clínica). Não são realizadas visitas em áreas de urgência, área vermelha ou unidades de terapia intensiva, salvo situações excepcionalmente avaliadas e autorizadas pelas equipes assistenciais, com observância rigorosa das normas de segurança.
Durante as visitas, a psicóloga responsável pela condução do momento realiza uma breve apresentação do projeto e identifica previamente pacientes ou acompanhantes que possuam receio ou histórico de trauma relacionado a cães, assegurando que o contato ocorra de forma respeitosa e consentida.
A ação reforça o compromisso do Hospital Metropolitano com práticas humanizadoras e inovadoras, alinhadas aos princípios da administração pública e à oferta de um cuidado integral, seguro e centrado nas necessidades dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).








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