
A rede pública estadual de ensino de Sergipe já conta com salas maker e laboratórios de robótica que vêm contribuindo para a transformação do processo de ensino e aprendizagem em diversas unidades escolares. Os investimentos realizados pelo Governo do Estado, entre 2025 e 2026, têm como foco promover o uso da tecnologia de forma prática, inovadora e alinhada às demandas educacionais contemporâneas, estimulando a criatividade, o pensamento crítico e o protagonismo dos estudantes.
Entre 2024 e 2026, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) investiu R$ 7.604.455,50 na aquisição de kits de robótica, contemplando 90 escolas de ensino médio da rede estadual, sendo 74 unidades de tempo integral e 16 de ensino regular. Do total investido, R$ 6.252.552,30 são provenientes de recursos federais destinados à política de educação em tempo integral, enquanto R$ 1.351.903,20 correspondem a recursos próprios do Estado. Para ampliar ainda mais essa iniciativa, em 2026 está em andamento o processo de licitação para a aquisição de 80 novos kits de robótica, com previsão de entrega até o mês de outubro, visando à utilização no ano letivo de 2027.
As salas maker e os espaços de robótica são ambientes pedagógicos voltados à aprendizagem ativa, nos quais os estudantes têm a oportunidade de criar, experimentar e desenvolver soluções a partir de desafios reais. Enquanto as salas maker incentivam a cultura dos alunos com o uso de diferentes ferramentas, materiais e metodologias ativas, os laboratórios de robótica são direcionados ao desenvolvimento do raciocínio lógico, da programação e da construção de protótipos tecnológicos, como robôs e sistemas automatizados.
De acordo com a técnica administrativa do Departamento de Educação, Luciana Oliveira, a robótica educacional é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento de habilidades essenciais. “A robótica contribui diretamente para o desenvolvimento do raciocínio lógico, da resolução de problemas e do trabalho em equipe, além de aproximar o ensino da realidade tecnológica contemporânea”, ressalta.
Atualmente, cada unidade de ensino contemplada com um laboratório de robótica é estruturada para atender às atividades pedagógicas de forma prática e integrada ao currículo escolar. A aplicação da robótica ocorre de maneira articulada com os conteúdos trabalhados em sala de aula, especialmente nas disciplinas de Física e Matemática, permitindo que os estudantes utilizem conhecimentos teóricos na construção e programação de projetos, tornando o aprendizado mais concreto e significativo.
No contexto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a robótica se destaca como uma importante ferramenta para o ensino interdisciplinar. Por meio dela, diferentes áreas do conhecimento são integradas, possibilitando a aplicação prática de conceitos de Matemática, Ciências e Tecnologia, como lógica, medidas, eletricidade, energia, movimento, programação e automação.
Para o diretor do Centro de Excelência Joana de Freitas Barbosa, em Propriá, Glauber Martins, a iniciativa tem impacto direto na formação dos estudantes. “Os resultados já podem ser percebidos no presente, com estudantes mais engajados, participativos e preparados para resolver problemas. A longo prazo, a ação contribui para a formação de profissionais mais qualificados, capazes de atuar em diversas áreas e contribuir de forma significativa para a sociedade”, ressalta.
Além disso, a robótica educacional estabelece uma relação direta com a inteligência artificial (IA), ao integrar a construção física de projetos ao desenvolvimento de comandos e sistemas inteligentes. Nesse processo, os estudantes compreendem, na prática, como estrutura e programação atuam de forma conjunta.
O professor de robótica Tiago Viana, do Centro de Excelência Dom Luciano José Cabral Duarte, em Aracaju, também destaca os avanços proporcionados pela tecnologia. “A utilização de pesquisas, testes e comandos permite que os estudantes desenvolvam soluções baseadas no que estão aprendendo, aproximando-os das tecnologias que já fazem parte do presente e que serão ainda mais relevantes no futuro”, ressalta.
Selecionados para o Educkathon
Nem todos os alunos conseguem se comunicar ou se concentrar da mesma forma, e isso impacta diretamente no aprendizado. Pensando nisso, a aluna do 3º ano do ensino médio do Centro de Excelência Dom Luciano, Maria Eduarda Bortoloso, e a equipe selecionada para a maratona de programação Educkathon 2026 trabalham o desenvolvimento de uma ferramenta que auxilie tanto os estudantes quanto os professores no ensino com alunos deficientes. “A ideia é criar uma solução acessível com base na robótica, voltada especialmente para pessoas com neuro divergência, deficiência auditiva ou dificuldades na comunicação verbal”, ressalta, a aluna.
A equipe de Maria Eduarda participará do Educkathon 2026, uma maratona de programação, robótica e tecnologia que ocorrerá entre os dias 20 e 21 de maio, no Clube do Banese, em Aracaju, e reunirá equipe de desenvolvimento e programação das escolas da rede pública estadual de ensino, além de uma mostra de robótica e diversas atividades voltadas às tecnológicas.
O também aluno do Dom Luciano, Miguel Felix, foi selecionado para a modalidade robótica artística do Educkathon. Nessa modalidade, os estudantes são desafiados a unir criatividade e inovação na construção de projetos que dialogam com música, dança e poesia. “Essa modalidade foi muito interessante pra gente, porque percebemos que é possível unir elementos clássicos, como música, dança e poesia, com recursos tecnológicos mais atuais”, ressalta o aluno selecionado na robótica artística, do 3º ano do ensino médio, Miguel Félix.
A expectativa é o Educkathon 2026 seja uma vitrine do que está sendo produzido na rede pública estadual de ensino e que os investimentos continuem ampliando o alcance dessas iniciativas, consolidando a rede estadual de ensino como referência no uso de tecnologias educacionais e fortalecendo uma aprendizagem cada vez mais ativa, inclusiva e alinhada às demandas do futuro.


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