
Se condenado por coação, ex-deputado pode ficar oito anos fora das urnas e embaralhar estratégia do PL para 2026.
A formalização da ação penal contra Eduardo Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal adiciona uma variável relevante ao tabuleiro político de 2026. Réu por coação no curso de processo judicial, o ex-deputado passa agora à fase de instrução processual, etapa que pode culminar em condenação ou absolvição, com efeitos diretos sobre sua elegibilidade.
A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República e aceita pela Primeira Turma do STF em novembro do ano passado, sustenta que Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo teriam atuado para pressionar ministros da Corte em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A abertura formal da ação marca o início da fase de coleta de provas e depoimentos.
Caso seja condenado, Eduardo Bolsonaro pode se tornar inelegível por oito anos, conforme as regras da Lei da Ficha Limpa.
Para o PL, partido ao qual Eduardo é filiado, o desfecho do caso influencia diretamente o desenho da estratégia eleitoral. O nome do ex-deputado circula tanto como possível candidato ao Senado quanto como alternativa em disputas majoritárias, a depender da configuração do campo bolsonarista.
A ação também pressiona a reorganização interna do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Com o ex-mandatário já condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, a eventual inelegibilidade de Eduardo reduziria o leque de opções da família para a disputa presidencial ou para cargos estratégicos no Congresso.
Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que a insegurança jurídica pode dificultar alianças e negociações antecipadas, especialmente em estados onde a presença da família Bolsonaro ainda é um ativo eleitoral relevante.
A principal incógnita, neste momento, é o calendário. Se o julgamento ocorrer antes do período de definições partidárias em 2026, o impacto tende a ser mais imediato. Caso o processo se estenda, o cenário pode permanecer indefinido até mais perto da eleição, aumentando o grau de incerteza política.
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