
Ferramenta da xAI, empresa de Elon Musk, é acusada de criar conteúdo explícito sem consentimento; plataforma pode ser multada ou restringida.
(Bloomberg) – Autoridades britânicas abriram uma investigação contra a X (antigo Twitter), empresa de Elon Musk, em meio à crescente reação internacional diante das milhares de imagens sexualmente sugestivas produzidas pela ferramenta de inteligência artificial Grok, integrada à plataforma.
O órgão regulador de comunicações do Reino Unido, Ofcom, informou nesta segunda-feira (12) que iniciou uma apuração formal para determinar se a X, subsidiária da xAI, violou a Lei de Segurança Online do país – o que pode resultar em multas ou restrições ao serviço. A X se recusou a comentar, mas afirmou nos últimos dias que remove conteúdos ilegais e suspende contas que publicam esse tipo de material.
Países como Reino Unido, França e Índia criticaram o chatbot Grok, acusando-o de gerar imagens sexualizadas de pessoas sem consentimento. Os Estados Unidos e o Japão são os maiores mercados da X em número de usuários ativos, seguidos por Indonésia, Índia e Reino Unido, segundo a consultoria DataReportal. Os três últimos governos já repreenderam a xAI – a Indonésia chegou a bloquear temporariamente o acesso ao Grok. Os EUA, por enquanto, ainda não se manifestaram oficialmente.
O Grok foi desenvolvido com menos restrições de segurança do que outras ferramentas de IA. Um recurso recente permite “despir” pessoas em fotos, colocando-as em roupas íntimas ou poses provocantes. Usuários do Grok na X já criaram milhares de imagens sexualizadas não consensuais de mulheres e crianças, segundo estimativas.
No Reino Unido, é ilegal possuir ou compartilhar imagens sexuais de crianças ou divulgar conteúdo íntimo de adultos sem consentimento, inclusive quando gerado por inteligência artificial.
O ministro de Negócios e Comércio, Peter Kyle, disse à Times Radio que o governo “claro que” consideraria proibir a X, mas ressaltou que a lei exige que os ministros deixem o regulador atuar de forma independente.
Usuários da X podem interagir diretamente com o Grok marcando sua conta em postagens e pedindo respostas. O chatbot gera textos e imagens que aparecem na própria rede social. Após uma enxurrada de solicitações para “despir” pessoas, a xAI limitou o recurso de geração de imagens a usuários pagantes da X, embora ele ainda estivesse disponível gratuitamente no aplicativo independente do Grok.
Musk publicou recentemente um alerta dizendo que quem usar o Grok para criar conteúdo ilegal enfrentará as mesmas consequências de quem fizer upload de material ilícito.
Anyone using Grok to make illegal content will suffer the same consequences as if they upload illegal content
— Elon Musk (@elonmusk) January 3, 2026
“Agimos contra conteúdo ilegal na X, incluindo material de abuso sexual infantil (CSAM), removendo-o, suspendendo permanentemente contas e cooperando com governos e autoridades locais conforme necessário”, afirmou a empresa.
O conteúdo sexual gerado pelo Grok provocou a condenação generalizada de governos e órgãos reguladores neste mês. A Malásia se juntou à Indonésia no bloqueio temporário da ferramenta no último fim de semana.
O gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que a decisão da xAI de restringir o Grok a usuários pagos “não é suficiente”.
“Essa medida apenas transforma um recurso ilegal de criação de imagens em um serviço premium. Não é uma solução – é um insulto às vítimas de misoginia e violência sexual”, disse o porta-voz Geraint Ellis na sexta-feira (9). “Mas mostra que a X pode agir rapidamente quando quer.”
A Internet Watch Foundation, entidade britânica responsável por identificar material de abuso infantil online, afirmou ter encontrado imagens “criminosas” de crianças no submundo da internet, supostamente geradas pelo Grok.
A Comissão Europeia ordenou que a X preserve documentos internos sobre o Grok até o fim do ano, após condenar imagens explícitas de crianças na plataforma.
O governo francês também acusou o Grok de gerar conteúdo sexual “claramente ilegal” sem consentimento, o que pode configurar violação ao Digital Services Act da União Europeia – legislação que obriga grandes plataformas a reduzir o risco de disseminação de material ilícito.
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