
Tecnologia V2L (Vehicle-to-Load) permite que carros eletrificados sejam usados como fonte de energia.
O apagão que atingiu São Paulo e a Região Metropolitana em dezembro de 2025, após um forte vendaval, expôs fragilidades na distribuição de energia elétrica, especialmente em áreas com grande concentração de árvores. Em alguns bairros, o fornecimento levou dias para ser restabelecido. Nesse cenário, um carro elétrico acabou assumindo um papel inesperado: o de gerador de energia residencial como uma espécie de powerbank gigante.
A tecnologia chama-se V2L (Vehicle-to-Load), disponível em carros elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). O recurso permite que a bateria dos veículos possa ser utilizada como uma fonte externa de energia para alimentar ferramentas, eletrodomésticos ou mesmo uma casa inteira.
É o que aconteceu com o engenheiro Maurício Barros, proprietário de um BYD Yuan Plus e morador em um condomínio em Caieiras (SP), na Serra da Cantareira. Segundo ele, a interrupção no fornecimento ocorreu após a queda de diversas árvores que danificaram a rede elétrica local. “Depois de umas oito horas sem energia, a gente nunca sabe quanto tempo vai demorar para voltar. Foi aí que resolvi usar o carro”, relata.
O engenheiro já havia comprado o adaptador V2L e feito um teste anteriormente. Conectou ao Yuan Plus e levou a extensão para casa, mantendo em funcionamento itens considerados essenciais, como geladeira, freezer, internet, televisão e computadores.

Maurício Barros usou Yuan Plus para gerar energia em casa durante três dias • Maurício Barros/Arquivo Pessoal
Segundo o proprietário, o consumo de energia foi surpreendentemente baixo. “Em três dias conectados, eu gastei só 5% da bateria. O Yuan Plus tem bateria de 60 kWh”, afirma. O sistema do carro ainda conta com uma proteção automática que impede a descarga total. “Ele só descarrega até 20%. Quando chega nesse nível, o carro para de fornecer energia para garantir autonomia mínima de deslocamento”, diz.
Essa reserva permitiria, por exemplo, sair de casa e recarregar o veículo em um ponto de carga rápida, muitos dos quais permaneceram operando normalmente durante o apagão. “Em cerca de 45 minutos daria para carregar e voltar para casa”, comenta Maurício, que é entusiasta de carros elétricos e dono do perfil Fui de Elétrico, que narra curiosidades sobre o assunto. Neste ano, ele ainda compartilhou que fez uma viagem de 18 mil quilômetros com carro elétrico pela América Latina.
Além de atender às próprias necessidades, Barros também utilizou o carro para ajudar vizinhos. “Levei o carro até a frente da casa de três vizinhos e puxei uma extensão. Duas horas foram suficientes para baixar a temperatura do freezer e da geladeira e evitar a perda dos alimentos”, relata. Segundo ele, esse tempo de ligação garante praticamente dois dias de conservação térmica dos equipamentos.
Em outro caso, um vizinho que integra a administração do condomínio utilizou um carro elétrico para manter o sistema de segurança em funcionamento. “Ele ligou as câmeras, a portaria e ainda recarregou os no-breaks que já tinham descarregado”, conta. O engenheiro ainda ensinou o procedimento para outros seis vizinhos que têm BEVs, mas não sabiam usar o recurso.
A tensão que sai do carro elétrico é de 220V e é preciso atenção para não danificar equipamentos. Maurício conta que solicitou à concessionária BYD a redução para 118V, voltagem de casa. Há ainda possibilidade de usar transformador ou nobreak bivolt.
Do ponto de vista técnico, o fornecimento de energia é limitado, mas suficiente para situações emergenciais. “A potência máxima de saída é cerca de metade da potência de carregamento do carro. São até 16 amperes, o que para o carro é pouco, mas para uma casa resolve muita coisa”, explica Barros. Ele alerta para a importância do uso de extensões adequadas, com cabos mais grossos, especialmente na ligação inicial.
Segundo o engenheiro, os maiores vilões do consumo doméstico continuam sendo equipamentos de aquecimento e refrigeração de alta potência. “Ar-condicionado, chuveiro elétrico e boiler consomem muito. Mas geladeira moderna, com motor inverter, chega a gastar menos que uma lâmpada”, diz. O painel do veículo ainda permite acompanhar em tempo real a quantidade de energia fornecida como mostra no vídeo acima.

BYD Dolphin: carros elétricos podem ser usados como fonte externa de energia • Divulgação
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