
O Centro Histórico de Salvador foi tomado pelo ritmo do ijexá na tarde deste domingo (30), quando 24 agremiações participaram do desfile Esquentando os Atabaques – Afoxé Patrimônio Cultural da Bahia. Promovido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) em parceria com a Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural, vinculada ao Conselho Estadual de Cultura, o evento integra as ações de salvaguarda do desfile de afoxé, reconhecido como patrimônio cultural imaterial da Bahia desde 2010.
A concentração aconteceu no fim de linha de ônibus da Rua Chile, de onde os grupos seguiram pelo circuito Batatinha em direção à Praça Quincas Berro D’Água. Música, ritmo, símbolos e elementos visuais que compõem a estética e a ancestralidade dos afoxés marcaram o cortejo, registrado no Livro de Registro Especial das Expressões Lúdico-Artísticas do IPAC.
Para o diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos, a iniciativa reforça a importância dos afoxés na formação cultural do estado. “Eventos como este são ações fundamentais de salvaguarda para a valorização, proteção e promoção dos afoxés, contribuindo para que essa manifestação cultural se perpetue entre as novas gerações”, afirmou.
Criados majoritariamente nos terreiros de candomblé, os afoxés preservam símbolos que remetem à força dos orixás — o oxé de Xangô, o dourado de Oxum, o padê de Exu, o branco de Oxalá. Para Junior Aficodé, ogã e presidente da Câmara de Patrimônio, levar esses elementos para as ruas é também um ato político. “O desfile dos afoxés ecoa nas ruas a tradição cultural dos terreiros. Essa ação de salvaguarda é necessária para o combate ao racismo e à intolerância religiosa em uma sociedade que historicamente discrimina a ancestralidade e a herança africana”, destacou.
Festival de Afoxé
Paralelamente ao desfile, o ritmo do ijexá também tomou conta da Praça Tereza Batista durante o I Festival do Afoxé, promovido pelo Afoxé Filhos e Filhas do Congo. A programação contou com apresentações de diversas agremiações, entre elas os Filhos e Filhas de Gandhy.
“O afoxé não é apenas música; é a fé que desce a ladeira, o toque do ijexá que ecoa a ancestralidade iorubá nas ruas”, disse Nadinho do Congo, organizador do festival.
Fonte: Ascom/IPAC
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