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“Consequências sérias”, diz Moraes ao ser chamado de palmeirense por advogado de réu

“Consequências sérias”, diz Moraes ao ser chamado de palmeirense por advogado de réu

14/10/2025 às 21h36
Por: Redação Fonte: Estadão Conteúdo
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“Consequências sérias”, diz Moraes ao ser chamado de palmeirense por advogado de réu

“Consequências sérias”, diz Moraes ao ser chamado de palmeirense por advogado de réu.

 

Em clima descontraído, ministro rebate advogado que o chamou de palmeirense durante julgamento sobre desinformação; PGR pede condenação dos réus.

Um momento de descontração marcou o primeiro dia de julgamento do núcleo 4 da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 14. O ministro Alexandre de Moraes, reconhecido torcedor do Corinthians, respondeu em tom de brincadeira ao ser chamado de palmeirense pelo advogado Melillo Dinis do Nascimento.

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Durante sua sustentação oral, Melillo disse: “É um momento histórico onde qualquer desinformação pode ser atribuída a qualquer pessoa. Quer ver?” e usou o próprio ministro como exemplo.

“Se eu disser que o ministro Alexandre de Moraes é torcedor do Palmeiras, isso não só é injusto, como acaba por trazer consequências quando ele for lá no Itaquerão”, afirmou o advogado em referência à NeoQuímica Arena, estádio do Corinthians, em Itaquera.

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Moraes reagiu de forma bem-humorada: “E para o senhor também. Consequências sérias”. “Claro, seríssimas”, respondeu Melillo, que defende o réu Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, ex-presidente do instituto Voto Legal.

O advogado também usou outros ministros da Primeira Turma para mais exemplos de consequências da desinformação. “Se eu disser que o ministro Luiz Fux é lutador de krav maga, e não de jiu-jitsu; que o ministro Flávio Dino foi governador de Carolina do Norte, e não do Maranhão, onde está a querida cidade de Carolina; ou que a ministra Cármen Lúcia não gosta de Minas Gerais, pode dar problema”, elencou.

Melillo Dinis do Nascimento destacou o contexto de radicalização que, segundo ele, contribui para a disseminação de desinformação. “Estamos em um ecossistema fundamentalista, polarizado, cristalizado em um mecanismo que não tem controle. E essa falta de controle não depende da produção ou não da informação”, disse.

Integram o núcleo 4, o “núcleo da desinformação”, os réus Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército; Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército; Carlos Cesar Moretzsohn Rocha; Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército; Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército; Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal; e Reginaldo Abreu, coronel do Exército.

Nesta terça-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação de todos os sete. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou que eles fizeram “manejo estratégico de informações sabidamente falsas como instrumento de desestabilização social”.

A Primeira Turma havia marcado sessões nos dias 14, 15, 21 e 22 de outubro, mas cancelou a da quarta-feira, 15, e espera concluir o julgamento ainda na próxima terça-feira, 21, sem a necessidade do dia 22.

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