Do lado do PSD, havia um compasso de espera diante das sondagens para que Pacheco concorresse ao governo de Minas. O ex-presidente do Senado vem sendo cortejado por Lula para entrar na disputa, mas já manifestou preferência por uma vaga no STF — que se tornou mais palpável, nos últimos dias, após o ministro Luis Roberto Barroso sugerir que pode antecipar sua aposentadoria da Corte para este ano.
Há duas semanas, em um evento de filiação de prefeitos ao PSD em Minas, Kassab dirigiu-se a Simões agradecendo a presença do vice-governador, e disse que ele seria “muito bem-vindo” na sigla.
“A sua pessoa, como vice-governador, como gestor de excelência, como inspirador da boa política, o senhor sempre será muito bem-vindo. Sinta-se aqui em casa”, disse Kassab na ocasião.
Reservadamente, aliados de Kassab afirmam que o dirigente mantém ótima relação com Pacheco, mas ponderam que a aproximação entre o ex-presidente do Senado e Lula vai na contramão do cálculo eleitoral do partido em Minas. Além de a maior parte da bancada de deputados do PSD ser alinhada ao governo Zema, a leitura de diferentes forças políticas é que um palanque muito atrelado ao PT pode custar votos no estado.
O PSD também busca alternar palanques mais próximos a Lula, caso de estados como Rio e Bahia, com alianças em locais como São Paulo e Minas que tenham maior alinhamento com o bolsonarismo e com o eleitorado de direita. Além da hipótese de apoiar uma chapa presidencial com Tarcísio, o PSD também avalia lançar candidatura própria à Presidência com o governador do Paraná, Ratinho Jr., que tem perfil de centro-direita.
Alternativa com Kalil
Lideranças petistas em Minas, por sua vez, vêm defendendo que Lula busque uma alternativa eleitoral a Pacheco, diante da movimentação do senador por uma vaga no STF. O presidente vinha mostrando preocupação em não ter um palanque competitivo no estado em 2026, mas aliados passaram a apostar, nas últimas semanas, em uma reedição da aliança feita na última eleição com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que se filiou no início de setembro ao PDT.
O embarque de Kalil no PDT, partido que integra a base do governo Lula, ocorreu já com a sinalização de uma candidatura ao governo. Apesar de Kalil não demonstrar interesse em fazer uma campanha nos moldes da de 2022, quando colou sua imagem à de Lula e foi derrotado por Zema no primeiro turno, uma ala do PT avalia que a aliança com o ex-prefeito de BH ainda assim pode ser importante para a campanha presidencial.
Reservadamente, essa ala petista aposta que a candidatura de Kalil conseguiria explorar falhas da gestão Zema e, com isso, desgastar os possíveis palanques bolsonaristas no estado. Além da candidatura de Simões, há a possibilidade de Republicanos e PL formarem uma aliança encabeçada ou pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), ou pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ambos apoiaram Zema em 2022 e são adversários de Kalil.
O ex-prefeito de BH deixou o PSD no ano passado, por discordar da montagem da chapa do partido na capital mineira, mas não rompeu relações com Pacheco. Segundo Kalil, não haveria dificuldade para que ambos estivessem no mesmo palanque; aliados de Pacheco, porém, descartam uma nova candidatura dele ao Senado em 2026.
“Tenho conversado sempre com o Rodrigo (Pacheco), seria um prazer concorrer na mesma chapa que ele. Mas no momento temos o compromisso de uma candidatura minha ao governo com a indicação do (líder do PDT na Câmara) Mario Heringer ao Senado”, afirma Kalil.
