Paralelamente, o governo brasileiro intensificou seus esforços diplomáticos. Abriu consultas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos. O presidente Lula justificou a medida afirmando que ministros como Geraldo Alckmin (MDIC), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) não haviam sido recebidos por Washington para dialogar.
Apesar da autorização, Lula disse que “não tem pressa” para efetivar a aplicação da lei e que a iniciativa visa “andar o processo” e acelerar as negociações. O presidente garantiu que, se os norte-americanos demonstrarem disposição, o Brasil estará pronto para negociar “24 horas por dia”.
Posicionamento da indústria e busca por soluções
A CNI, por outro lado, enfatiza a necessidade de prudência diante do agravamento da tensão comercial. A entidade considera que as economias brasileira e americana possuem características complementares. A manutenção da relação bilateral, construída ao longo de mais de dois séculos, é vista como um valor a ser preservado. A indústria avalia que este não é o momento adequado para a implementação da Lei da Reciprocidade Econômica.
Uma comitiva da CNI, composta por mais de 100 líderes empresariais, tem viagem agendada para Washington na próxima semana. Na pauta, reuniões com autoridades e representantes do setor privado americano. Também está prevista a preparação para uma audiência pública em 3 de setembro, focada na investigação aberta sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Ricardo Alban, presidente da CNI, justificou a iniciativa: “Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros”.
