
Imagine estar caminhando por um campo na Europa e descobrir que, milhões de anos antes de você, um parente bem distante já passava por ali, em pé, observando a paisagem. Pesquisas recentes no sudeste europeu reacenderam o debate sobre a origem do ser humano ao sugerir que um ancestral muito antigo pode ter andado sobre duas pernas fora da África, mostrando que nossa história pode ser mais espalhada e complexa do que se pensava.
Descobertas na região dos Bálcãs, especialmente na Bulgária e na Grécia, apontam para um possível ancestral remoto chamado Graecopithecus, que teria vivido há cerca de 7,2 milhões de anos. Um fêmur encontrado em Azmaka foi estudado por equipes internacionais e apresenta sinais compatíveis com locomoção bípede, algo central quando falamos da origem do ser humano moderno.
O osso mostra um colo alongado e voltado para cima e marcas de inserção muscular ligadas à postura ereta, diferentes do padrão de primatas que passam quase todo o tempo em árvores. Estima se que o indivíduo fosse de pequeno porte, vivendo em uma paisagem de savana com rios e áreas abertas, parecida com algumas regiões africanas atuais.
O Graecopithecus é visto por alguns pesquisadores como um possível integrante bem antigo da linhagem que leva ao ser humano. Essa ideia vem tanto da estrutura dos dentes e da mandíbula, descritas em fósseis da Grécia, quanto das características do fêmur associadas ao bipedismo, indicando um jeito de andar diferente do dos grandes macacos atuais.
Não há consenso sobre o lugar exato desse primata na árvore evolutiva, e isso ajuda a imaginar a evolução como uma série de “testes” de postura ereta em regiões diferentes. Em vez de uma linha reta, o cenário parece um arbusto cheio de ramos, com espécies experimentando adaptações parecidas em épocas e lugares distintos, algo também sugerido por fósseis africanos como Sahelanthropus e Orrorin.
A África continua sendo o principal cenário nas pesquisas sobre evolução humana, com fósseis mais recentes e completos, como o Australopithecus e espécies do gênero Homo. Porém, achados como o do Graecopithecus abrem espaço para a ideia de que fases bem iniciais da nossa linhagem também podem ter ocorrido em outras regiões, como o sul da Europa.
Alguns modelos sugerem que ancestrais antigos circularam entre Europa, Oriente Médio e África, enfrentando ambientes variados antes de se fixarem em populações mais estáveis no continente africano. Assim, a origem do ser humano se parece mais com um processo cheio de idas e vindas do que com um único ponto no mapa.
Se você quer saber mais, separamos o vídeo do TikTok “@liminalitytv” falando sobre essa curiosidade:
@liminalitytv This thigh bone discovered in Bulgaria may rewrite the history of human origins. Dating to 7.2 Ma this Graecopithcus thigh bone has all the hallmarks of walking on two legs. A jawbone was previously found in Greece indicating this species is a human ancestor but this is the first evidence of it walking on two legs. Thus does not disprove the huge body of evidence we have for the Out of Africa model, but it does help to tell a more complete and very interesting story! #ancienthistory #evolution #archaeology #history #science
♬ original sound - Zane Blunt
As descobertas feitas até agora mostram que ainda existem muitas lacunas na história dos primeiros bípedes, e isso torna arriscado afirmar verdades absolutas. Como a interpretação do Graecopithecus depende de poucos fósseis, projetos internacionais seguem ativos em áreas como Bulgária, Grécia e outras regiões do Mediterrâneo, em busca de peças que tornem esse passado menos misterioso.
Para montar esse grande quebra cabeça, os pesquisadores apostam em diferentes estratégias que se completam e deixam as conclusões mais seguras. Entre elas, algumas têm ganhado destaque:
Cada novo osso, dente ou ferramenta acrescenta pistas sobre dieta, ambiente, locomoção e formas de convivência desses primatas. Ao cruzar dados da Europa e da África, os cientistas buscam entender se houve um foco principal de surgimento dos hominíneos ou vários centros de evolução em paralelo, mantendo viva a possibilidade de um ancestral bípede na Europa como parte da nossa longa e surpreendente história.
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