
O Governo do Pará implantou o primeiro sistema estadual integrado de rastreabilidade do cacau do Brasil. Denominada Cacaupará, a plataforma digital acompanha todo o percurso da produção, desde o cadastro da propriedade rural até a chegada do produto à indústria, e já está disponível para acesso por meio da página da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap).
Desenvolvido com recursos do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau), o sistema começou a funcionar em caráter experimental no dia 1º deste mês. Mais de 50 técnicos e representantes de produtores, incluindo cooperativas, já participaram de capacitações iniciadas em dezembro do ano passado para utilização da nova ferramenta.
Considerado moderno, integrado e seguro, o Cacaupará reforça a credibilidade do cacau paraense nos mercados nacional e internacional, além de qualificar de forma inédita a gestão dos projetos financiados pelo Funcacau.
Tecnologia para atender exigências internacionais
A implantação do sistema ocorre em um momento estratégico para a cadeia produtiva. A nova regulamentação europeia EUDR (European Union Deforestation Regulation) determina que apenas produtos com comprovação de origem livre de desmatamento após 31 de dezembro de 2020 poderão ingressar no mercado europeu. A medida impacta cadeias produtivas como cacau, café, soja, madeira e carne bovina.
Nesse cenário, a adoção de soluções tecnológicas robustas torna-se essencial para garantir que o cacau produzido no Pará permaneça competitivo e apto a acessar mercados que valorizam práticas sustentáveis e rastreáveis.
O sistema foi concebido para conectar os principais agentes estratégicos da cadeia produtiva do cacau no estado, entre eles a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater Pará), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), o Ideflor-Bio e o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará (Faepa)/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Raio-X da produção cacaueira
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, todas as etapas da rastreabilidade são registradas digitalmente na plataforma. Entre as funcionalidades estão o cadastro georreferenciado das propriedades, a validação ambiental automática por meio do cruzamento com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o registro das práticas produtivas, o controle da colheita e da movimentação do produto, a geração de QR Code por lote e a disponibilização de relatórios e painéis de monitoramento em tempo real para auditorias e exportação.
“É um rastreamento extremamente importante para nós paraenses como para o Brasil. É compreender exatamente o que temos de área plantada, como está sendo conduzida e produzida efetivamente a amêndoa de cacau; essa plataforma digital irá nos acrescentar informações como o tamanho da área, a prospecção efetiva de produção por ano e com isso levar oportunidade de conhecimento ao produtor para que possamos melhorar mais ainda a nossa amêndoa”, destacou o secretário.
Levantamento da Ceplac aponta que o Pará possui atualmente cerca de 34 mil produtores de cacau. A meta do governo estadual é alcançar todo esse universo. “Nós queremos cadastrar 100%. Inclusive, já temos uma parceria com a Faepa, por meio da ATEG+Cacau, que atende centenas de trabalhadores e produtores de cacau, com assistência técnica e gerencial da lavoura. A Federação está nos dando todas essas informações para que possamos cadastrar e fazer esse acompanhamento”, acrescentou Giovanni Queiroz.
Pioneirismo no Brasil
Segundo o coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Cacauicultura no Pará (Procacau), Ivaldo Santana, o sistema coloca o Pará na vanguarda da rastreabilidade do cacau no país.
“O mercado internacional exige a rastreabilidade de várias culturas e agora chegou a vez do cacau. Largamos na frente para fazer esse trabalho. Estamos em fase de teste, mas o software já pode ser acessado pelos integrantes da cadeia produtiva por meio do site da Sedap. É um sistema em que pretendemos inserir todos os dados, como é feita a colheita, a fermentação e cada passo que a amêndoa der fora da propriedade será registrado para poder fazer o caminho de volta”, explicou.
A implantação do sistema ocorre de forma escalonada, em etapas de configuração, implementação e expansão. Entre as metas estão o cadastramento de milhares de propriedades, a integração com as indústrias, a ampliação da cobertura territorial e a disponibilização periódica de indicadores estratégicos para acompanhamento da cadeia produtiva e dos projetos financiados pelo Funcacau.
Benefícios para produtores
Os produtores de cacau estão entre os principais beneficiados pela iniciativa. A plataforma amplia o acesso a mercados mais exigentes e melhor remunerados, facilita processos de certificação, comprova a origem sustentável da produção e fortalece a segurança nas relações comerciais.
Para o presidente da Cooperativa de Produção Orgânica na Transamazônica e Xingu (Cepotx), localizada em Altamira, Jader Santos, a plataforma representa um avanço importante para o setor. “É uma boa iniciativa do governo implantar esse tipo de serviço. Nós já estávamos trabalhando para que pudéssemos ter acesso a uma plataforma dessas para padronizar as nossas informações de uma forma unificada, mas sabemos que o custo é alto nas empresas que fornecem esse tipo de serviço e nós não conseguiríamos manter. É importante disponibilizar esse acesso ao produtor”, afirmou.
O coordenador de campo da Fundação Solidaridad, Pedro Santos, também destacou a importância da construção de uma base de informações mais segura sobre a produção cacaueira no estado. “Temos que esperar acontecer, como esse sistema vai rodar. Foi a primeira fase do treinamento. Deu para entender um pouco de tudo que o Estado está construindo, de uma base de informação, e vamos esperar o próximo treinamento para ver a consolidação desse novo projeto envolvendo os produtores de cacau do Pará”, disse.
Serviço:
O acesso ao sistema Cacaupará pode ser feito por meio do endereço: www.sedap.pa.gov.br
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