Dentro desse novo plano, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, é um dos nomes que vêm sendo defendidos por governistas para comparecer à comissão. A ideia é que ele vá ao colegiado fazer a defesa da reação do governo desde que o escândalo veio à tona: interrupção dos pagamentos fraudulentos, mudanças no sistema do INSS para evitar novas fraudes e o pagamento de R$ 1 bilhão a 1,6 milhão de aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos.
Por outro lado, a base planeja propor a convocação de ex-integrantes do governo Bolsonaro, como José Carlos Oliveira — que presidiu o INSS entre 2021 e 2022 — e Onyx Lorenzoni, ex-ministro do Trabalho e Previdência, além do senador Rogério Marinho (PL-RN), que foi secretário de Previdência de 2019 a 2020. Petistas também já apresentaram requerimento para ouvir o ex-presidente, com a justificativa de que ele foi alertado, ainda na transição de seu governo, sobre a fraude do INSS.
Coordenador da frente governista, Pimenta argumenta que a investigação deve priorizar a ordem cronológica da fraude. Para o parlamentar, uma das estratégias é adotar a linha do tempo do esquema, mostrando quando começou, em que momento “ganhou escala industrial” e como chegou à gestão petista, com o mote de que Lula acabou com o esquema.
“Queremos recuperar todas as medidas que foram adotadas no sentido de facilitar que essas entidades pudessem se credenciar e obter adesão junto ao INSS e entender quais mudanças foram feitas para flexibilizar os repasses e dificultar a fiscalização. E, dentro disso, identificar as figuras políticas da história, em cuja gestão aconteceu e quem era ministro”, detalha Pimenta.
Outra hipótese em avaliação é trocar alguns suplentes indicados pelos partidos por parlamentares mais fiéis ao governo e que não se ausentem das sessões das comissões. Parlamentares do MDB faltaram à sessão de instalação da CPI, ao mesmo tempo que líderes criticaram a falta de contato do Planalto para mobilizá-los. Reservadamente, parlamentares da base avaliam que o governo deixou a criação da comissão “correr solta” e subestimou a articulação da oposição.
Reação à derrota
Após a derrota, Gleisi chamou os líderes da base para uma reunião no Palácio do Planalto. O começo da reação passou a ser delineado nessa conversa. A ministra reconheceu erros de articulação e pediu foco para segurar a oposição. Ela reforçou que a maioria que o governo tem na comissão precisa ser efetiva para assumir a pauta da CPI e evitar que a oposição desgaste a gestão petista. Após o encontro, líderes se queixaram de “desorganização” do Planalto.
Também titular da CPI, o senador Izalci Lucas (PL-DF), da oposição, já tem mais de 320 solicitações de requerimentos apresentados com pedidos de informação:
“Não tem que ser Lula contra Bolsonaro, mas é claro que haverá xiitas querendo jogar a culpa um no outro. Queremos apurar a verdade”.
Táticas para atuação no colegiado
Linha do tempo
Petistas planejam fazer uma linha do tempo para associar as fraudes do INSS não ao governo Lula, mas à gestão de Jair Bolsonaro. Eles já apresentaram requerimento para ouvir o ex-presidente, com a justificativa de que ele foi alertado, ainda na transição de seu governo, sobre os descontos indevidos de aposentados.
Requerimento
O Planalto também vai redobrar a atenção com os requerimentos para impedir, por exemplo, que um dos irmãos de Lula, o Frei Chico, vire alvo. Bolsonaristas pressionam pela convocação dele, que tem ligação com um dos sindicatos citados no esquema. Frei Chico, contudo, não é investigado. A entidade nega irregularidades.
Ações do governo
A ideia é que o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, vá ao colegiado fazer a defesa da reação do governo, como a interrupção dos pagamentos fraudulentos, mudanças no sistema do INSS para evitar novas fraudes e o pagamento de R$ 1 bilhão a 1,6 milhão de aposentados e pensionistas afetados.
