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Economia Ministro da Fazenda

Mudanças no IR são necessárias para cumprir arcabouço, diz Haddad

Mudanças no IR são necessárias para cumprir arcabouço, diz Haddad

12/08/2025 às 18h53
Por: Redação Fonte: infomoney
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Mudanças no IR são necessárias para cumprir arcabouço, diz Haddad

Mudanças no IR são necessárias para cumprir arcabouço, diz Haddad.

 

Ministro participa de audiência de comissão que discute MP.

As mudanças no Imposto de Renda (IR) sobre aplicações financeiras e na tributação das empresas de apostas (bets) são necessárias para cumprir o arcabouço fiscal em 2026, afirmou nesta terça-feira (12) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele participou de audiência da comissão mista que analisa a Medida Provisória 1.303/2025, editada para compensar as perdas decorrentes do decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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“O objetivo é sair da armadilha do déficit crônico que nos acompanha desde 2015”, disse Haddad.

Originalmente, a audiência estava marcada para a semana passada, mas foi adiada devido à ocupação dos plenários da Câmara e do Senado por parlamentares da oposição.

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Haddad reafirmou que as mudanças visam aumentar a tributação sobre os mais ricos, poupando a população de baixa renda.

“Quem não pagava imposto está sendo chamado a contribuir. Vamos distribuir a carga de forma justa, sem penalizar a população de baixa renda”, declarou.

Embora algumas mudanças entrem em vigor já em 2025, como o endurecimento das contribuições tributárias e o aumento do imposto pago pelas empresas de apostas, as alterações no Imposto de Renda sobre aplicações financeiras só valerão a partir de 2026, em respeito ao princípio da anualidade, que determina que aumentos de impostos só podem vigorar no ano seguinte à sanção da lei.

Para 2026, o arcabouço fiscal prevê superávit primário — economia de recursos para pagar os juros da dívida pública — de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), além de um limite para o crescimento dos gastos públicos de até 2,5% acima da inflação de 2025 ou até 70% do crescimento da receita acima da inflação.

Instalada em julho, a comissão mista que analisa a MP 1.303/2025 tem como presidente o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e como relator o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP). Esta foi a primeira de quatro sessões previstas pela comissão.

Unificação de alíquotas

O ministro defendeu a unificação da alíquota do IR em 17,5% para renda fixa e criptoativos. Segundo ele, a medida é neutra para a dívida pública, mas ajuda a promover o equilíbrio tributário entre os investidores.

“O objetivo é fechar brechas, garantir concorrência justa e assegurar que o ajuste fiscal seja feito preservando o crescimento, com inflação e desemprego em baixa”, declarou Haddad.

O ministro negou que a nova tributação desestimulará o investimento a partir de 2026.

Sobre a elevação de 12% para 18% da contribuição sobre o faturamento paga por empresas de apostas esportivas, Haddad classificou a proliferação dessas empresas como “problema de saúde pública”. Quanto ao aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fintechs, o governo argumenta que a medida elimina distorções entre grandes bancos e fintechs de alto faturamento.

Mudanças previstas

Segundo estimativas da Receita Federal, a arrecadação prevista com a nova MP é a seguinte:

  • Endurecimento dos critérios para pedir compensações tributárias: R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 10 bilhões em 2026. As compensações são pedidos de descontos de tributos pagos a mais na cadeia produtiva;
  • Elevação de 15% para 20% do Imposto de Renda retido na fonte sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP): R$ 4,99 bilhões em 2026. Os JCP são uma forma de remuneração que a empresa paga aos acionistas;
  • Elevação de 12% para 18% do imposto sobre o faturamento das empresas de apostas eletrônicas: R$ 285 milhões em 2025 e R$ 1,7 bilhão em 2026;
  • Elevação da CSLL sobre fintechs de 9% para 15%: R$ 263 milhões em 2025 e R$ 1,58 bilhão em 2026;
  • Fim da isenção de Imposto de Renda para títulos privados incentivados (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas): R$ 2,6 bilhões aos cofres públicos em 2026.

Medidas que limitam despesas

A MP também trouxe as seguintes mudanças relacionadas à limitação de despesas:

  • Inserção do programa Pé-de-Meia no piso constitucional da educação;
  • Limitação a 30 dias dos benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) concedidos pelo Atestmed, sistema de atestado médico digital do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Após esse prazo, será exigida perícia médica presencial;
  • Teto para a compensação financeira que a União paga a regimes de previdência dos servidores estaduais e municipais para incorporar o tempo de serviço no INSS, limitado ao valor definido na sanção do Orçamento;
  • Ajustes nos critérios para a concessão do Seguro Defeso, auxílio para pescadores durante o período do defeso, com homologação do registro de pescador pela prefeitura e teto limitado ao valor definido na sanção do Orçamento.
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