
O diplomata Celso Amorim, principal assessor de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou duramente as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Amorim classificou a ameaça como uma tentativa de interferência nos assuntos internos do Brasil e afirmou que o gesto reforça a necessidade de diversificar parcerias internacionais.
“Nem mesmo nos tempos coloniais vimos algo assim. Nem a União Soviética teria feito algo desse tipo”, declarou Amorim, sugerindo que Trump tenta influenciar a política brasileira em favor de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Trump não tem amigos nem interesses, só vontades”, disparou.
Segundo o assessor, a retórica agressiva do presidente americano terá o efeito contrário ao desejado: “Esses ataques estão reforçando nossas relações com os BRICS, porque queremos ter relações diversificadas e não depender de um único país”. Ele destacou ainda o interesse brasileiro em fortalecer laços com a Europa, Ásia e América do Sul.
Nesse contexto, Amorim defendeu a ratificação urgente do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, argumentando que o tratado não apenas traria benefícios econômicos imediatos, mas também ajudaria a equilibrar o cenário internacional diante da guerra comercial.
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