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Tarifas de 50% seriam ‘praticamente um embargo comercial’ sobre os jatos comerciais, diz CEO da Embraer

Tarifas de 50% seriam ‘praticamente um embargo comercial’ sobre os jatos comerciais, diz CEO da Embraer

15/07/2025 às 17h35
Por: Redação Fonte: Isto e Dinheiro
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Tarifas de 50% seriam ‘praticamente um embargo comercial’ sobre os jatos comerciais, diz CEO da Embraer

Tarifas de 50% seriam ‘praticamente um embargo comercial’ sobre os jatos comerciais, diz CEO da Embraer.

 

As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto podem ter um impacto na receita da Embraer semelhante ao da crise da Covid-19, disse o presidente-executivo da companhia, Francisco Gomes Neto, nesta terça-feira, 15.

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos, além de possíveis reduções na força de trabalho, gerando um custo adicional de cerca de US$ 9 milhões por avião exportado aos EUA.

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Francisco Gomes Neto, presidente-executivo da Embraer (Foto: Claudio Gatti) 

Os Estados Unidos são o principal mercado da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás da Airbus e da Boeing, com clientes norte-americanos representando 45% do seu negócio de jatos comerciais e 70% de sua divisão de jatos executivos.

“Pela relevância que esse mercado tem… a gente estima que, se isso for para frente, nessa magnitude, vamos ter um impacto similar ao da Covid em termos de queda de receita da companhia”, disse Neto.

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Ele acrescentou que as tarifas de 50% seriam praticamente um embargo comercial sobre os jatos comerciais, especialmente os modelos E1 da Embraer, tornando “inviáveis” as exportações para os EUA.

Ainda assim, o executivo afirmou que nenhum pedido foi cancelado até o momento.

 

As ações da Embraer, que chegaram a subir 3% mais cedo no dia, passaram a operar de forma volátil durante as declarações de Neto, devolvendo ganhos antes de voltarem a subir cerca de 1%.

Após o anúncio da tarifa de 50% ao Brasil na semana passada, as ações da Embraer desabaram mais de 8%. Os papéis da fabricante de aeronaves encerraram o pregão da quinta-feira, 11, em queda de 3,7%, a R$ 75,32, após serem negociados a R$ 71,63 na mínima do dia (-8,41%).

 

Analistas do Bradesco BBI afirmaram que a Embraer é, dentro da cobertura do setor de bens de capital, a empresa mais exposta às exportações para os EUA, com cerca de 60% da receita vinda da América do Norte.

Em nota a clientes, eles estimaram um impacto potencial de aproximadamente US$ 220 milhões no lucro antes de juros e impostos (Ebit) de 2025, cerca de 35% do total estimado para o ano. O prognóstico considera que a tarifa entre em vigor em agosto, o que limitaria o impacto a apenas uma parte do ano.

“Tais impactos serão abordados em nossa próxima conferência de resultados do segundo trimestre, no dia 5 de agosto”, disse em nota. “A empresa está trabalhando com as autoridades competentes visando reestabelecer a alíquota zero dos impostos de importação para o setor aeronáutico”, acrescentou.

Analistas do JPMorgan estimaram um impacto potencial de cerca de 13% na receita da fabricante brasileira de aviões.

Marcelo Motta e Jonathan S. Koutras ponderaram que a previsão assume que todas as vendas do jato Praetor (cerca de 18% da receita) são para clientes dos EUA e que o jato comercial E175 (cerca de 9% da receita) também sofreria queda de demanda.

Eles destacaram que o impacto potencial de uma tarifa de 50% sobre as exportações do Brasil para os EUA varia entre os diferentes segmentos de negócios da Embraer.

Na aviação comercial, citaram, que respondeu por 35% da receita em 2024 e 12% do Ebit, os contratos da Embraer incluem cláusulas que permitem o repasse de tarifas de importação aos clientes.

Como ponto positivo, a equipe do JPMorgan lembrou que o jato E175, responsável por cerca de 9% da receita de 2024, totalmente fabricado no Brasil, não possui concorrente certificado, o que confere à Embraer forte poder de precificação.

Na família E2, acrescentaram que a empresa enfrenta concorrência do A220 da Airbus, mas não possui clientes nos EUA.

Quanto aos jatos executivos, Motta e Koutras citaram que a montagem final ocorre em Melbourne, Flórida — os Phenoms são 100% fabricados nos EUA, enquanto os Praetors têm entre 60% e 70% de conteúdo da América do Norte, principalmente dos EUA.

“No entanto, como partes do processo são fabricadas no Brasil, esse segmento é mais impactado pelas tarifas, o que pode pressionar as margens”, estimaram no relatório enviado aos clientes do banco.

“Segundo nossos cálculos, uma tarifa de 50% sobre essas peças representaria uma redução significativa nas margens, com impacto de até 15% no Ebit dos jatos executivos no pior cenário.”

Em defesa, esclareceram que a Embraer não possui vendas diretas para os EUA nesse segmento.

Em relação ao segmento de serviços e suporte, afirmaram que as peças importadas do Brasil para atender clientes nos EUA também podem ser impactadas.

“Assumindo que 25% da receita de serviços e suporte nos EUA seja representada por importações do Brasil, o impacto estimado seria de cerca de 5% no Ebit desse segmento”, calculam.

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