
A campanha binária do “nós contra eles”, ou do “eles contra nós”, é mais do que enganosa.
O governo Lula deu desconto de R$ 5,7 bilhões aos “super-ricos” das empreiteiras amigas, multados na Lava Jato por suborno; mas faz campanha para fingir que atua contra “super-ricos” genéricos, tentando convencer o povo a defender um imposto (IOF) que também afeta operações financeiras dos pobres.
Só na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), o custo inicial das obras seria de US$ 2,3 bilhões, mas elas consumiram US$ 18 bilhões da Petrobras. Mesmo assim, com a volta de Lula ao poder, a Consag, da Andrade Gutierrez, e a Tenenge, da ex-Odebrecht, venceram licitação de obras da refinaria pivô da Lava Jato.
Da fortuna do próprio Lula, exposta em 2015 em relatório do COAF sobre sua empresa L.I.L.S., pelo menos R$ 10 milhões, em remuneração por alegadas palestras, vieram do clube de empreiteiros “super-ricos” envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, incluindo os de Odebrecht e Andrade Gutierrez, além de OAS, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.
Os irmãos Batista, “super-ricos” da J&F que confessaram suborno, também foram novamente prestigiados por Lula e beneficiados pelo atual governo com medidas provisórias no setor elétrico, que impactam a conta de luz dos brasileiros em pelo menos R$ 451 milhões, estimados inicialmente pela Aneel.
Isto sem falar nos “super-ricos” beneficiados no BNDES pela política dos “campeões nacionais” nos governos de Lula e Dilma Rousseff, como os próprios irmãos Batista e seu xará Eike Batista, entre outros empresários que dividiram R$ 1,2 trilhão de gastos públicos do banco.
Para Lula e PT, há “super-ricos” mais iguais que outros. Os “super-ricos” do “bem” são aqueles, de carne e osso, que historicamente fazem negócios com o lulismo, resultando em prejuízo para o povo. Já os “super-ricos” genéricos, ou do “mal”, são espantalhos explorados pelos propagandistas do governo, a fim de sustentar a gastança e os privilégios dos integrantes dos Três Poderes e de seus aliados bilionários.
O problema, portanto, não está na ala da elite constituída de empreendedores que geram milhões de empregos e, com eles, oportunidades de ascensão social a pessoas de baixa renda; mas, sim, no patrimonialismo (onde a administração pública vira extensão do patrimônio pessoal dos poderosos) e no capitalismo de compadres (onde o sucesso depende mais de laços estreitos com o regime do que de mérito ou concorrência de mercado) – ambos praticados há duas décadas pelo lulismo e pela ala da elite mancomunada com o poder.
A campanha binária do “nós contra eles”, ou do “eles contra nós”, não é apenas enganosa, divisionista e estimuladora do ódio, do ressentimento e da inveja, com efeitos perversos como as incitações de assassinato da família do empresário Roberto Justus. Ela é também ilustrativa do maquiavelismo de um presidente disposto a fabricar inimigos públicos para engajar sua base social e ideológica, acobertar sua hipocrisia e se manter no jogo eleitoral.
Lula quer que os brasileiros paguem, sem desconto, pelos males que ele causou.
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