
De acordo com matéria publicada no BP Money, o Brasil figura como o 4º país mais exposto em uma eventual guerra comercial envolvendo, principalmente, os Estados Unidos. Isso, somado às rupturas provocadas pela pandemia de covid- 19 e às tensões comerciais entre grandes potências como Estados Unidos e China, acendeu um alerta global: depender de uma única origem de fornecimento pode representar riscos operacionais e estratégicos graves.
Nesse novo cenário, empresas de diversos setores têm adotado abordagens como o nearshoring e o reshoring, que propõem uma reconfiguração geográfica das cadeias de suprimentos.
“Redesenhar a cadeia de valor deixou de ser uma decisão de longo prazo. Hoje, é uma necessidade imediata para garantir continuidade operacional, competitividade e expansão”, afirma Jacqueline Garcia Miguel, gerente de Importação e Exportação da Rodoflex, uma empresa nacional de autopeças para linha pesada.
Executiva com mais de uma década de experiência, Jacqueline é responsável por toda a operação de comércio exterior da companhia. Ela lidera os processos de importação, nacionalização, planejamento logístico, exportação, homologação técnica internacional e integração entre as áreas operacionais, técnicas e financeiras, com foco na expansão de mercado e redução de custos.
O que é nearshoring e reshoring?
Nearshoring consiste em transferir parte da produção ou dos fornecedores para países mais próximos do mercado consumidor final. Isso reduz prazos logísticos, custos de transporte e exposição a riscos geopolíticos. Já o reshoring é o processo de repatriar a produção — trazendo de volta, para o país de origem da empresa, atividades antes realizadas no exterior.
“Além de reduzir vulnerabilidades, essas estratégias oferecem mais controle sobre a operação, o que é fundamental quando se trabalha com produtos técnicos e processos regulatórios rigorosos, como no setor automotivo”, pontua Jacqueline.
Esses movimentos não são simples. Envolvem análise de risco, reestruturação de contratos, redefinição logística e alinhamento com múltiplas áreas da empresa. Nesse contexto, profissionais com capacidade de pensar o supply chain de forma integrada se tornam cada vez mais valorizados.
“É preciso aliar leitura sistêmica do negócio com habilidade técnica. Profissionais da área devem ser capazes de estruturar KPIs, interpretar dados, negociar com fornecedores internacionais e manter compliance regulatório — tudo ao mesmo tempo”, explica Jacqueline.
Ela destaca também a importância de ferramentas analíticas e visão estratégica para conectar as áreas de engenharia, produção, logística, finanças e vendas. “A fluidez da cadeia depende de integração. O sucesso não vem só da logística, mas da sinergia entre todos os elos do processo”.
Para a profissional, com a crescente instabilidade nos fluxos globais, a área de comércio exterior passa a ter papel central nas empresas — não apenas operacional, mas decisório. Jacqueline acredita que os profissionais do setor devem desenvolver inteligência analítica, visão de longo prazo e capacidade de adaptação em cenários de alta volatilidade.
“A atuação no comércio exterior exige mais do que cumprir processos. É um papel estratégico que influencia diretamente na competitividade e na expansão internacional das empresas”, conclui.
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