Neste sábado, 5, a Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) participou do segundo dia do I Seminário Estadual de Artesanato em Cerâmica de Sergipe, em Santana do São Francisco. O evento tem como objetivo fortalecer o debate sobre investimentos no artesanato de cerâmica do município do baixo São Francisco, além de promover a capacitação de profissionais, fomentar o reconhecimento da cerâmica como expressão cultural e proporcionar a troca de experiência entre os artesãos, especialistas e pesquisadores da área.
Durante o evento, o uso sustentável de fornos para cerâmica e a melhoria na qualidade de vida dos artesãos da região foram algumas das temáticas abordadas. O público presente pôde participar de palestras sobre o conhecimento técnico dos processos produtivos e inovação na cerâmica artesanal.
Maria Eunice Fortes é artesã há mais tempo do que se recorda. A profissão chegou em sua vida por herança de sua família. “Meu pai era fiador e deixou de ser fiador para ser artesão, porque o meu bisavô, quando veio junto com alguns portugueses para Penedo, e depois para Carrapicho, que era o nome anterior de Santana de São Francisco, começou a trabalhar com artesanato. Então, todos eles têm o artesanato no sangue, eu tenho no sangue. Eu fico muito feliz, porque a cada dia as pessoas ficam encantadas com meu trabalho", contou. Para a artesã, o evento representa o cuidado com a população da região. "Esse evento vem para cuidar da saúde da gente. O artesanato é o meu principal sustento e de algumas famílias que trabalham comigo, então é muito bom esse evento que está acontecendo, isso que eles estão tentando implantar aqui em Santana, porque os fornos fazem mal para a gente. A nossa fonte de renda é o artesanato, a maioria da população de Santana vive do artesanato. O artesanato para nós é uma bênção, é a nossa vida e a nossa sobrevivência”, revelou.
O presidente da Funcap, Gustavo Paixão, falou sobre a importância da iniciativa e da valorização do artesão sergipano. “A participação da Funcap, em parceria com a Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem) e com a prefeitura de Santana do São Francisco, é no sentido de viabilizar e somar esforços para que o artesanato ganhe força a nível Nordeste e a nível Brasil. Através de um termo de cooperação entre a Funcap e a Seteem, vamos conseguir trazer investimentos através do Plano Nacional de Aldir Blanc (PNAB), para que a gente possa impulsionar de uma forma rápida, efetiva, o artesanato sergipano, através de cursos de capacitação e para que a gente possa fazer com que esse artesão coloque na sua mente que o vetor econômico do artesanato é muito importante", explicou. De acordo com Gustavo Paixão, é preciso que o artesanato seja visto como uma forma de geração de renda e de geração de emprego. "Cada vez mais, a gente precisa profissionalizar a atividade. O objetivo é promover a capacitação, a troca de experiência desse artesanato, de um artesanato que vem sendo tão valorizado pelo Governo do Estado, inclusive nos nossos eventos, em que todos têm a participação dos artesãos. Isso é a valorização da nossa cultura, a valorização do nosso artesanato”, completou.
A coordenadora geral do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), Beatriz Loureiro, esteve presente no evento, apresentando o programa e seu trabalho. “Viemos explicar um pouco melhor sobre o Programa do Artesanato Brasileiro, as ações que a gente tem e, principalmente, conhecer a realidade local. Viemos entender de perto duas coisas. Primeiro, a qualidade de vida desse artesão, visto as problemáticas que se tem no município com relação à queima. Foi o ponto principal, de partida, para a gente estar aqui, entender e ver como a gente pode melhorar o Programa do Artesanato. A segunda coisa, que é muito importante para o PAB, é a qualificação desse artesão, porque a gente melhora uma coisa, mas a gente tem que expandir em outras, então olhar a qualificação, olhar essas peças para ver como é que a gente pode ajudar esse município a ter um desenvolvimento melhor com o artesanato, porque de fato as tradições, o talento se tem, mas a gente precisa melhorar cada vez mais essa cadeia produtiva”, esclareceu.
O prefeito de Santana do São Francisco, Ricardo Roriz, demonstrou sua satisfação com a vinda do seminário para o município. “Nós vamos debater neste seminário algumas temáticas para que consigamos melhorias para o nosso artesão. A importância desse evento para a Santana do São Francisco é justamente trazer a melhoria em relação a tudo, à saúde, ao trabalho, à capacitação, à melhoria do nosso artesanato”, detalhou.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio), Marcos Andrade, ressaltou o propósito da participação da Fecomércio no seminário. “Estamos aqui nesta audiência pública para discutir o aperfeiçoamento dos fornos, para melhorar a qualidade da produção dos artesãos, aperfeiçoar o tratamento do barro e, para isso, o Senai chegará com a escola para vitrificar esse produto. Qualificar a vitrificação também é multiplicar a produção, para que possamos vender para grandes redes de lojas, a nível de Brasil, isso é fazer mais e melhor”, afirmou.
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