O anúncio foi feito durante a solenidade de abertura
Começou, nesta sexta-feira (4), a XV edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará. A feira foi aberta ao público às 14h, reunindo 188 estandes, com 34 editoras, 25 livrarias e 32 distribuidores, além dos diversos espaços dedicados a atividades culturais. A cerimônia de abertura teve início às 20h, com destaque para o anúncio feito pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, de 10 mil vale-livros para os professores da Rede Estadual de Ensino.
“Nós precisamos valorizar nossos professores e professoras para que, cada vez mais, se qualifiquem e tenham acesso à nossa produção literária”, destacou Elmano. O incentivo à compra de livros e material pedagógico é uma maneira de proporcionar aos educadores um acesso ampliado à literatura e obras atualizadas de diversas áreas, fortalecendo sua formação continuada e aprimorando as práticas pedagógicas em sala de aula.
O governador lembrou que a iniciativa se soma aos 15.382 cardlivros distribuídos pela Prefeitura de Fortaleza para os professores da Rede Municipal. Cada professor contemplado receberá um crédito de até R$ 200 para a aquisição de livros nos estandes da Bienal. No total, os dois projetos significam um investimento de mais de R$ 5 milhões.
A solenidade de abertura contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, as secretárias estaduais da Cultura, Luisa Cela, e da Educação, Eliana Estrela, e o secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba. Também estiveram presentes o presidente do Instituto Mirante, Tiago Santana, e a presidenta do Instituto Dragão do Mar, Rachel Gadelha. Subiram ao palco da cerimônia o presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri, o deputado federal José Guimarães e a secretária da Cultura de Fortaleza, Helena Barbosa.
A secretária Luisa Cela destacou a dimensão e a variedade da programação da Bienal e o protagonismo na edição deste ano. “Essa decisão foi conectada com a agenda de visibilidade e afirmação política. As mulheres têm uma presença na literatura que por muitos anos foi interditada”, afirmou.
O representante do MinC, Fabiano Piúba, destacou a importância da Bienal do Ceará para a economia do livro e parabenizou o trabalho da curadoria. “Uma boa feira de livro e uma boa festa literária reúnem democratização de acesso ao livro, um ambiente de promoção da leitura e formação de leitores, mas também de promoção da literatura e da economia do livro”, reforçou.
Encerrando os pronunciamentos, o governador Elmano de Freitas destacou, por fim, a pertinência do tema da Bienal este ano, “Das fogueiras ao fogo das palavras: mulheres, resistência e literatura”. “Achei a frase absolutamente linda e forte. Diz muito para que a sociedade supere o machismo, supere as desigualdades. Mais uma vez as curadoras garantiram um posicionamento político correto da nossa Bienal”, concluiu.
O início da solenidade ficou a cargo do Grupo Afro Alagbará e o Ilé Axé Yeye Omin Iyó, que apresentou o espetáculo “Xirê Yabá – Nossas mães ancestrais”, com danças e músicas inspiradas nos terreiros e na religiosidade afro-brasileira. O Grupo destacou a força e liderança das mulheres na manutenção das tradições de matriz africana e na resistência de comunidades periféricas no País.
A música Indígena embalou, em seguida, a apresentação do coral “Nheengari Sambokar (Canto Livre)”, formado por 35 crianças da Escola Indígena Jenipapo-Kanindé, em Aquiraz. O grupo integra o projeto Tapera das Artes e interpretou canções da comunidade, incluindo músicas da Cacique Pequena, líder política e Mestre da Cultura, reconhecida em 2015.
As atividades culturais da Bienal tiveram início às 17h, com uma homenagem feita na Praça do Cordel ao cordelista e ilustrador Arievaldo Viana, falecido em 2020, e ao cordelista e violeiro Lucas Evangelista, que nos deixou em janeiro passado. “O Arievaldo é um dos grandes nomes da nossa poesia popular, assim como o Lucas Evangelista, que era um dos nossos Mestres da Cultura”, destacou Klévisson Viana, coordenador do espaço, lembrando que os dois homenageados participaram de diversas edições da Bienal.
Às 18h30, o desfile “Iracemas: Mulheres à beira-luz” animou o público no Foyer Pavilhão Térreo – Oeste, dentro da programação Literatura e Moda. O desfile reuniu peças inspiradas na obra de José de Alencar e foi idealizado pelo produtor do evento DFB Festival, Cláudio Silveira, com peças de autoria de João Lobo.
Encerrando a noite, às 21h, a Arena Henriqueta Galeno, localizada no Pavilhão Térreo – Oeste, recebeu o show “Também Guardamos Pedras Aqui”, de Luiza Romão. A performance é inspirada em livro de mesmo nome vencedor do Prêmio Jabuti.
A Bienal é uma realização do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), em parceria com o Instituto Dragão do Mar (ISoDM), via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura. O evento conta com o patrocínio do Banco do Nordeste, Rede Itaú, Cagece e Cegás.
Bienal Internacional do Livro do Ceará
Quando: 4 a 13 de abril, das 9h às 22h
Onde: Centro de Eventos do Ceará – Avenida Washington Soares
Gratuito e aberto ao público
Mín. 21° Máx. 29°