A rede municipal de ensino de São José do Rio Preto celebra o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, em 2 de abril, com avanços e desafios no atendimento aos alunos no espectro autista. Atualmente, dos 39 mil estudantes da rede, 1.100 estão no espectro. A escola João Jorge Sabino, no Parque Estoril, é a que mais atende crianças com deficiência, sendo 37 com autismo.
Em 2025, a Prefeitura ampliou o número de professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE), serviço essencial para o desenvolvimento dos estudantes público-alvo da Educação Especial. Neste ano, foram contratados 47 professores, e mais 15 serão chamados nas próximas semanas. Além disso, 30 novos profissionais de apoio foram contratados para atuar diretamente com os alunos que necessitam de suporte individualizado, reforçando a inclusão nas escolas.
Daniela Honório de Barros Dutra, que atua na Educação Especial, destaca a importância desse suporte. “Temos salas de AEE em todas as escolas de ensino fundamental, com atendimento no contraturno. Além disso, contamos com parcerias de instituições como AMA, APAE e Renascer, que oferecem oficinas para o desenvolvimento das crianças”, explica.
A secretária de Educação, Renata Azevedo, ressalta os desafios da rede diante do aumento de matrículas de alunos no espectro. “O grande desafio é atender essa demanda crescente, mantendo a qualidade do serviço. Precisamos lidar com questões orçamentárias, mas seguimos buscando parcerias e alternativas para garantir o acolhimento que essas crianças precisam”, afirma.
Mãe do aluno Ravi, de 7 anos, Rafaela Schiavinatto compara o atendimento da rede pública e particular. “Na escola municipal, meu filho tem uma acompanhante o tempo todo. Se há qualquer problema ou mudança, sou informada. Isso faz toda a diferença.
O Ravi já estudou em escola particular e a escola da rede municipal presta uma assistência muito melhor”, relata. Ela destaca ainda o impacto na comunicação do filho. “Hoje ele já consegue formular frases, fazer perguntas e contar algo que aconteceu. Para nós, isso é uma grande evolução”, comemora.
A professora Rosangela Gandolfi Fiorezi, que atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE) na escola João Jorge Sabino, destaca a importância do trabalho realizado com os alunos autistas para seu desenvolvimento acadêmico, social e emocional. “O AEE tem como objetivo principal fortalecer habilidades comunicativas, sociais e acadêmicas. Cada aluno tem suas potencialidades, e nosso papel é identificá-las e desenvolvê-las”, afirma.
Ela ressalta que a autonomia é um dos aspectos mais trabalhados, tanto no ambiente escolar quanto fora dele. “A independência que eles conquistam na escola se reflete no dia a dia. Hoje mesmo, um aluno autista nível 3, que tem dificuldades na comunicação oral e na realização de tarefas simples, surpreendeu ao buscar sozinho a própria mochila, algo que nunca havia feito antes. São pequenas conquistas que fazem toda a diferença”, relata.
A coordenadora interina da Associação de Amigos do Autista (AMA), Ionete Alves Nogueira Pereira, descreve o vínculo com os alunos atendidos na instituição. “Não precisa de palavras. Quando eles confiam em você e demonstram carinho, sabemos que estamos no caminho certo”, diz. A instituição atende 125 alunos da rede municipal com atividades no contraturno escolar.
Além do suporte nas escolas, a rede municipal conta com instituições parceiras que oferecem atendimento complementar no contraturno. O encaminhamento é feito pelos professores de AEE, com ciência das famílias. As principais entidades são:
AMA – Atende crianças e adolescentes com autismo que necessitam de apoio substancial ou muito substancial.APAE – Oferece oficinas multidisciplinares para alunos com deficiência intelectual, TEA e outras condições associadas.Associação Renascer – Também promove oficinas multidisciplinares para crianças com TEA e deficiência intelectual.Instituto dos Cegos – Atendimento especializado para estudantes com deficiência visual.
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