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Primeiro Patrimônio Mundial misto do Brasil: a ilha fluminense sem carros que protege 12 mil hectares e guarda uma das praias mais elogiadas do país

Primeiro Patrimônio Mundial misto do Brasil: a ilha fluminense sem carros que protege 12 mil hectares e guarda uma das praias mais elogiadas do país

13/08/2026 às 15h56
Por: Redação Fonte: Agência Revista Oeste
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Primeiro Patrimônio Mundial misto do Brasil: a ilha fluminense sem carros que protege 12 mil hectares e guarda uma das praias mais elogiadas do país

Primeiro Patrimônio Mundial misto do Brasil: a ilha fluminense sem carros que protege 12 mil hectares e guarda uma das praias mais elogiadas do país.

 

Quase toda ilha turística do mundo acaba tomada por estrada, prédio e carro. No litoral sul do Rio de Janeiro, aconteceu o contrário: um século de presídios manteve a maior ilha fluminense fechada ao público, e o isolamento forçado preservou a Mata Atlântica que hoje sustenta o turismo. A Ilha Grande, em Angra dos Reis, continua sem automóveis, com deslocamento feito só por barco ou trilha.

Por que a ilha entrou na lista de Patrimônio Mundial da Unesco?

Pela combinação rara de floresta preservada e cultura viva. Em julho de 2019, o Comitê do Patrimônio Mundial reconheceu o sítio Paraty e Ilha Grande: Cultura e Biodiversidade, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que aponta o conjunto como o primeiro sítio misto da América Latina com população tradicional vivendo no território. Os outros sítios mistos do continente, caso de Machu Picchu, no Peru, são áreas arqueológicas.

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O reconhecimento cobre quatro unidades de conservação e cerca de 85% de cobertura vegetal nativa, o que forma o segundo maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do país. Segundo a Prefeitura de Angra dos Reis, o território reconhecido soma quase 149 mil hectares. É um selo do mesmo peso que levou a cidade paranaense da tríplice fronteira a receber milhões de visitantes por ano.

Essa cidade do Rio de Janeiro encanta com ilhas paradisíacas, praias cristalinas e qualidade de vida junto ao mar
Ilha Grande, em Angra dos Reis, encanta o mundo com praias cristalinas e trilhas inesquecíveis // Créditos: depositphotos.com / hello@peterorsel.com

 

Como um antigo presídio acabou preservando a mata da ilha?

A ilha passou décadas com acesso restrito. Em 1884Dom Pedro II mandou instalar ali o Lazareto, área de quarentena para imigrantes europeus, estrutura que depois virou prisão. O Instituto Penal Cândido Mendes, na Vila de Dois Rios, funcionou até 1994, quando foi desativado e implodido pelo governo estadual.

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Enquanto o presídio operava, quase ninguém circulava pela floresta. O resultado aparece hoje na densidade da mata e na fauna: o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) registra que a ilha é reconhecida como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela Unesco desde 1991 e como área prioritária para conservação de aves pela BirdLife International. O Parque Estadual da Ilha Grande, criado em 1971 e ampliado em 2007, protege 12.083 hectares. Das ruínas do presídio restou o Museu do Cárcere, administrado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Essa cidade do Rio de Janeiro encanta com ilhas paradisíacas, praias cristalinas e qualidade de vida junto ao mar
Ilha Grande encanta visitantes com suas praias preservadas e águas cristalinas // Créditos: depositphotos.com / hello@peterorsel.com

Quais praias e trilhas concentram o roteiro na ilha?

A base de tudo é a Vila do Abraão, onde chegam as embarcações e começam as trilhas sinalizadas do parque. Confira abaixo os destinos que costumam abrir a lista:

  • Praia de Lopes Mendes: areia branca voltada para o oceano aberto, com ondas boas para surfe e selo Travellers’ Choice no TripAdvisor.
  • Pico do Papagaio: subida pesada em mata fechada até o afloramento de granito, com vista da baía inteira e, em dias limpos, da Pedra da Gávea.
  • Cachoeira da Feiticeira: queda de cerca de 15 metros usada para banho e rapel, alcançada por trilha de nível moderado.
  • Circuito do Abraão: caminho circular curto que reúne Praia Preta, ruínas do Lazareto, o aqueduto de 1893 e dois mirantes.
  • Praia de Dois Rios: cercada por rios de água doce nas duas pontas, é o ponto do museu instalado nas ruínas do antigo presídio.
  • Praia do Aventureiro: no lado oceânico, dentro de área de proteção rigorosa, virou símbolo da ilha pelo coqueiro deitado sobre a areia.

Quem sonha em conhecer Ilha Grande vai curtir este vídeo do canal Viagens Cine, com mais de 170 mil visualizações, que mostra praias, passeios de barco e dicas para explorar a ilha.

 

Como é o clima na Ilha Grande ao longo do ano?

O regime é tropical úmido de encosta, com verão quente e chuvoso e inverno ameno e mais seco. Veja abaixo o comportamento médio ao longo do ano na região de Angra dos Reis:

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo, que registra em Angra dos Reis cerca de 61 mm de chuva média em agosto contra volumes bem maiores no verão. As condições mudam a cada temporada por influência do El Niño, da La Niña e de outros fenômenos, então vale conferir a previsão atualizada antes de embarcar.

Como chegar à ilha saindo do Rio de Janeiro?

Não existe ponte nem aeroporto, e o acesso é exclusivamente marítimo. De acordo com o Inea, as embarcações partem diariamente de MangaratibaConceição de Jacareí e do centro de Angra dos Reis com destino à Vila do Abraão, onde fica a sede do parque.

De carro, a viagem desde a capital fluminense segue pela BR-101, a Rio-Santos, até um desses três embarques, onde o veículo fica em estacionamento particular. Na ilha, o deslocamento entre praias distantes é feito por táxi-boat ou escuna, e o resto se resolve a pé.

Essa ilha brasileira está atraindo visitantes do mundo inteiro com suas praias e trilhas inesquecíveis
Ilha Grande virou sonho de viagem com mar cristalino e paisagens únicas // Créditos: depositphotos.com / hello@peterorsel.com

 

A ilha que o isolamento salvou

Poucos destinos brasileiros combinam floresta contínua, praia de mar aberto e ruína histórica em um mesmo dia de caminhada. A ausência de carros muda o ritmo da viagem: aqui a distância se mede em minutos de trilha e em travessias de barco.

Você precisa atravessar a baía e ver de perto a ilha que o Brasil manteve trancada por cem anos e a Unesco resolveu proteger para sempre.

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