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Secretária de Defesa Social defende que não houve ''vítimas'' nos conflitos entre torcidas organizadas no Recife em fevereiro.

Secretária de Defesa Social defende que não houve ''vítimas'' nos conflitos entre torcidas organizadas no Recife em fevereiro.

27/03/2025 às 18h08
Por: Redação Fonte: Diario de Pernambuco
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Secretária de Defesa Social defende que não houve ''vítimas'' nos conflitos entre torcidas organizadas no Recife em fevereiro.

Secretária de Defesa Social defende que não houve ''vítimas'' nos conflitos entre torcidas organizadas no Recife em fevereiro.

 

Declaração foi feita em coletiva sobre resultados da Operação Contra Pista.

Durante o anúncio da prisão de 21 integrantes da Torcida Jovem do Leão e da Explosão Inferno Coral por conta dos conflitos entre as torcidas no dia 1º de fevereiro, a secretária de Defesa Social em exercício, Dominique de Castro Oliveira, afirmou que neste caso “não há vítimas”.

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De acordo com ela, “há pessoas que foram lesionadas e pessoas que lesionaram, mas todos são autores de crimes”. As cenas de barbárie ocorreram na Rua Real da Torre, na Madalena, Zona Norte do Recife, antes do Clássico das Multidões. Na ocasião, houve pancadaria, espancamento e até crime sexual, fazendo com que os envolvidos precisassem ser socorridos às pressas no Hospital da Restauração, onde foram presos em flagrante.

A secretária Dominique Castro defende que mesmo que um torcedor estivesse caído no chão após ser espancado, ele “se deslocou da onde estava para o local onde aconteceu a confusão para lesionar alguém” e que a “finalidade de ambos os grupos é causar graves lesões até a morte do oponente, que muitas vezes não tem nenhuma face para o outro”.

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Um dos réus espancado e violentado sexualmente foi o presidente da Torcida Jovem do Leão, João Victor Soares da Silva, conhecido como “Playboy” ou “Cash”, de 28 anos. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram João Victor sendo atacado por um grupo de homens, muitos deles usando camisas do Santa Cruz. Ele foi arrastado, despido e violentado sexualmente com o uso de objetos semelhantes a barras de ferro, ao mesmo tempo em que era agredido com socos, chutes e pauladas.

O presidente da torcida precisou ser internado no Hospital da Restauração e responde, junto com outros dois torcedores, pelos crimes de associação criminosa, desobediência, emprego de artefato explosivo e promoção de tumulto, com participação em briga de torcida.

“Eu acho que o que mais causa estranheza é o conformismo. Como se ali estivessem todos prontos para agredir e talvez até matar uma pessoa que eles nem conhecem aleatoriamente por causa de uma cor de camisa”, pontuou a secretária.

Nesta quarta-feira (28), a Secretaria de Defesa Social divulgou que um dos três homens envolvidos no estupro de João Victor já foi detido e que um segundo já foi identificado. "Um segundo homem já foi identificado e estamos trabalhando na identificação do terceiro", afirmou o delegado Raul Junges, titular da Delegacia de Polícia de Repressão à Intolerância Esportiva (DPRIE).

Procurada pelo Diario de Pernambuco, a defesa de João Victor destacou que ele “foi submetido a três cirurgias, sendo saturado com mais de 110 pontos na cabeça para retirada de sangue proveniente de hematomas e escoriações por todo o corpo, teve o osso rádio fraturado 100%, passando 45 dias hospitalizado”. A defesa frisou que o presidente da Torcida Jovem do Leão foi “vítima” tanto “da Torcida Inferno Coral, quanto da polícia e da Justiça".

A Operação Contra Pista, deflagrada nesta quinta-feira (27), cumpriu mandados de prisão em Jaboatão dos Guararapes, Vitória de Santo Antão, Olinda, Ipojuca, Paulista e Igarassu. Um dos envolvidos foi capturado em Fortaleza, capital do Ceará. Os detidos foram levados para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel) e estão à disposição da Justiça.

Outros três adolescentes apreendidos estão na Unidade de Atendimento Inicial (Uniai), da Fundação de Atendimento Socioeducativo de Pernambuco (Funase).

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