
Celebração da independência dos EUA ocorre em meio à alta desaprovação do presidente, inflação persistente e desgaste com a guerra no Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transformará as comemorações dos 250 anos da independência americana em uma vitrine política neste sábado (4). Batizado de Freedom 250, o evento foi concebido para reforçar a imagem nacionalista do governo em um momento de queda de popularidade, impulsionada pela inflação, pelo aumento do custo de vida e pela condução da política externa.
A celebração acontece quatro meses antes das eleições de meio de mandato (“midterms”), consideradas o principal teste eleitoral do governo desde o retorno de Trump à Casa Branca.
O resultado do pleito, marcado para 3 de novembro, definirá a renovação integral da Câmara dos Representantes, cerca de um terço do Senado e diversos governos estaduais, podendo alterar a capacidade de articulação política do presidente.
A estratégia de associar o governo às festividades ocorre enquanto pesquisas mostram um cenário desfavorável para Trump. Levantamento Reuters/Ipsos divulgado em junho aponta que 63% dos americanos desaprovam sua gestão, enquanto 35% a aprovam. Outros 2% não responderam. Entre os fatores que mais pesam na avaliação negativa aparecem a inflação e o aumento do custo de vida.
O cenário econômico ganhou ainda mais relevância nas últimas semanas com a escalada das tensões no Oriente Médio. O conflito envolvendo o Irã elevou os preços internacionais do petróleo durante o período em que houve ameaça ao tráfego no Estreito de Ormuz, pressionando o preço dos combustíveis nos Estados Unidos e ampliando a preocupação dos consumidores.
Mesmo diante desse contexto, Trump adotou um discurso otimista sobre a inflação. Em junho, afirmou que “ama a inflação” e previu que os preços cairiam após o fim da guerra com o Irã. Dias depois, aumentou a pressão sobre postos de combustíveis ao exigir redução imediata dos preços da gasolina.
A política externa também passou a influenciar a avaliação do governo. Segundo a mesma pesquisa Reuters/Ipsos, 59% dos entrevistados desaprovam a atuação americana na guerra no Oriente Médio, tornando o tema mais um fator de desgaste para a Casa Branca.
Apesar do ambiente político desafiador, a administração Trump prepara uma das maiores comemorações já realizadas para o Dia da Independência.
A programação prevê o lançamento de aproximadamente 851 mil fogos de artifício em Washington, D.C., numa tentativa de estabelecer um recorde mundial reconhecido pelo Guinness World Records.
O 4 de Julho é considerado o principal feriado cívico dos Estados Unidos. A data marca a aprovação da Declaração de Independência pelo Segundo Congresso Continental, em 1776, quando as 13 colônias romperam oficialmente os vínculos com o Reino Unido.
Tradicionalmente, as celebrações incluem desfiles, cerimônias militares, apresentações públicas e espetáculos de fogos em diferentes cidades do país.
Além do simbolismo histórico, a edição deste ano ocorre em um momento decisivo para a agenda política de Trump.
As eleições de novembro serão interpretadas como um referendo sobre os primeiros anos de seu segundo mandato. Caso os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Representantes, ou ampliem sua presença no Senado, o presidente poderá enfrentar mais dificuldades para aprovar projetos e conduzir sua agenda legislativa.
Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso, o que tem permitido ao governo avançar com maior facilidade em suas propostas. O desempenho eleitoral deste ano será determinante para definir se essa maioria será mantida até o fim do mandato.
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 4.531 americanos entre os dias 3 e 8 de junho, por meio de entrevistas online. A margem de erro é de 1,5 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.