
Os museus permitem que a memória seja materializada em um único ambiente, consolidando-se como guardiões da identidade de um povo, nação ou etnia. Em Vitória da Conquista, a história dos museus revela uma curadoria cuidadosa, que resguarda a memória da região do sudoeste baiano.
A trajetória desses espaços consta no acervo do Arquivo Público Municipal, importante equipamento da Prefeitura Municipal que preserva o patrimônio local e regional. Eles são os destino certos para quem gosta de resgate à história e deseja conhecer mais sobre o cotidiano do conquistense, principalmente dos apaixonados por museologia.

Casa Memorial Régis Pacheco
O memorialista e jornalista Aníbal Lopes Viana afirmou em suaRevista Histórica de Vitória da Conquistaque a jovem Enerina Fernandes Pacheco Pereira era filha do fazendeiro e pecuarista Cel. João Fernandes de Oliveira Santos e cunhada do Intendente Sr. Ascendino dos Santos Melo. Construída na segunda década do século 20, a Casa Régis Pacheco foi um presente do coronel a sua filha Enerina, quando esta se casou com o médico recém-transferido de Salvador, o Dr. Régis Pacheco. Localizada na Praça Tancredo Neves, a Casa abriga o Memorial Governador Régis Pacheco desde 2007.
Quem adentra o casarão, pode contemplar uma parte do mobiliário que pertenceu à família de Régis e alguns textos da professora Heleusa Câmara, figura importante no cenário conquistense. Além desses, há também as obras dos artistas Adilson Santos, Dão Barros, Sílvio Jessé, José Lima e José Murilo de Oliveira. Tombada como patrimônio histórico pelo decreto n.º 8.596/96, a Casa possui os quadros de todos os prefeitos de Vitória da Conquista, representando a trajetória da política local. O casarão recebe, constantemente, saraus, palestras, exposições e lançamento de livros.

Casa Memorial Régis Pacheco
Construído em 1883, o Museu Regional – Casa Henriqueta Prates – leva o nome de uma das figuras mais emblemáticas da cidade: a conselheira política Henriqueta Prates. A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) criou na casa o serviço de museu em 1991 e, no ano seguinte, o local foi inaugurado como o Museu Regional – Casa Henriqueta Prates. O espaço resguarda a memória da cultura de Vitória da Conquista, contendo um acervo diverso e complexo.
O local abriga parte da mobília da família a que pertenceu, pôsteres raros dos filmes do cineasta conquistense Glauber Rocha e, também, obras de arte da antiga galeria de arte Imperial Vila da Vitória. Dentre os espaços do museu estão as salas: Edméa Oliveira, Ruy Medeiros, Marisa Correia, Glauber Rocha, Jorge Melquisedeque e Mozart Tanajura.
Para o coordenador do Museu Regional, Anderson Macena, o espaço cultural deve ser acessível a todos os públicos. “As pessoas têm que tirar da cabeça que cultura é para poucos, pois, na verdade, cultura é para todos. Como nós estamos numa instituição pública, nada mais justo do que trazer e dar acesso a quem mais precisa. O importante, pra mim, é preservar a história, o espaço histórico em si. Porque difícil é construir, mas é extremamente fácil destruir”.
Localizado na BA-262, o Museu de Kard é o segundo maior museu a céu aberto do Brasil. Fundado em 2002, o espaço foi completamente idealizado pelo artista plástico Allan de Kard, com o intuito de ser um espaço de contemplação e reflexão. O museu possui uma proposta de centro cultural dinâmico, em que os visitantes conseguem interagir com as esculturas gigantescas. As obras possuem referências nordestinas, como a famosa Xadrez de Fibras, onde o rei é o Lampião, a dama é o Padre Cícero e a torre é o Elevador Lacerda.
Para o escultor Allan de Kard, o amor é a inspiração para o seu trabalho. “O amor é fundamental para que a gente siga adiante, a despeito de todas as dificuldades. Eu diria que é a energia mais poderosa da vida. Quem ama não sente o peso do que faz. Portanto, o amor é a energia que devemos empreender, em primeiro lugar, em tudo o que fizermos”.
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