
O Instituto Médico Legal (IML) de Maceió mobilizou sua equipe de Antropologia Forense para uma operação técnica complexa na área de manguezal conhecida como "Buraco", em Coruripe. A ação, que integrou os peritos médicos legistas Luiz Mansur, Diogo Nilo e Eduardo Yukishigue Nisiyama, teve como objetivo a busca e e o recolhimento de corpos no local.
A operação foi coordenada pela Polícia Civil de Alagoas (PCAL), com o apoio fundamental da Polícia Militar (PMAL) e do Corpo de Bombeiros Militar (CBMAL). Para viabilizar a varredura na área alagada, foram empregados recursos tecnológicos, como drones, e equipes de busca com cães farejadores, resultando na localização de um corpo do sexo masculino em estágio avançado de decomposição.
Embora o imaginário comum associe a medicina legal estritamente as exames realizados dentro do IML, a presença dos especialistas no local da ocorrência é um diferencial metodológico. A atuação direta dos legistas no campo foi acompanhado de perto pelo perito-geral da Polícia Científica de Alagoas Kleber Santana.
Luiz Mansur, chefe do IML de Maceió, explica que a perícia de campo em Antropologia Forense é essencial para a preservação da verdade dos fatos, garantir o rigor técnico e cadeia de custódia. Segundo ele, retirar os restos mortais sem essa análise técnica destrói evidências que o laboratório jamais conseguiria recuperar.
“No local, o antropólogo consegue analisar a disposição do esqueleto e os vestígios adjacentes, identificando se houve movimentação pós-morte ou ação de agentes naturais. Retirar os restos mortais sem essa observação técnica pode comprometer evidências que o laboratório não é capaz de recuperar posteriormente”, pontua Mansur.

A coleta técnica realizada pelos legistas evita a perda de fragmentos ósseos minúsculos ou dentes soltos, que poderiam facilmente desaparecer na lama. “Um dente a menos pode ser a diferença entre identificar uma vítima pelo DNA ou pela odontologia legal e o caso permanecer sem solução”, alerta o perito.
Ainda em campo, os peritos médico legistas podem estimar o sexo biológico, a estatura e a idade aproximada da vítima, além de observar sinais de traumas. Esses dados são fundamentais para que a investigação policial possa cruzar informações com bancos de dados de pessoas desaparecidas desde o primeiro momento.
Ciência onde a vida termina
O corpo localizado foi cuidadosamente removido e encaminhado à sede do IML em Maceió. Na unidade da Polícia Científica, o corpo passará por exames de necropsia e pelo início dos protocolos oficiais de identificação humana.
Para a equipe de antropologia forense, o sucesso da missão reside em proteger a cadeia de custódia e honrar a história da vítima. “Levar o perito até o local é ciência aplicada no terreno. É onde garantimos a chance de dar nome, causa e circunstância à morte. A justiça começa na preservação de cada detalhe encontrado na lama”, resume Luiz Mansur.
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