
Foto: Renata Rosa/Epagri
Se depender dos irmãos Valdecir e Ademir Petermann, a nova geração de Brusque vai manter a tradição de consumir vegetais em conserva, especialmente o chucrute, acompanhamento do prato símbolo da Fenarreco: o marreco recheado. Isso porque o repolho fermentado, além de delicioso, é um poderoso probiótico que atua na saúde gastrointestinal. Um alimento tão nutritivo que entrou para o cardápio da merenda escolar graças ao trabalho de extensão da Epagri, que voltou a atuar no município após 15 anos, em 2025.
“A Epagri fez muita falta aqui para nós. Foi através dos projetos da Epagri que a gente adquiriu trator, legalizou a questão ambiental e ajudou a direcionar a produção de pepino para uma indústria de conservas nos anos 1990”, contou Valdecir Petermann, 54 anos, que administra a Conservas Petermann com o irmão Ademir, 60. Os irmãos assumiram a empresa, fundada pelo pai em 1996, quando seu Anselmo faleceu três anos depois.
“O pai decidiu abrir a fábrica quando a indústria que comprava os legumes fechou as portas e, para isso, fizemos alguns investimentos, como adquirir um tacho de inox para ferver as conservas”, relembra Valdecir, responsável pela parte administrativa. Na época, a Conservas Petermann tinha apenas 50m² e produzia apenas pepino, beterraba e palmito. Hoje, a fábrica tem 400m² e vende 12 tipos de conservas. Mensalmente, a empresa comercializa 25 mil vidros de 300g e embalagens maiores (1,8kg) para restaurantes e supermercados.
A retomada do relacionamento com a Epagri permitiu à empresa fornecer chucrute e polpa de maracujá para 66 escolas municipais e frutas e suco concentrado de uva para o Instituto Federal Catarinense (IFC), que tem campus em Brusque, através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) . Os irmãos Petermann também fornecem hortaliças in natura para Guabiruba, cidade vizinha, que distribui para a merenda escolar, via Pnae, e inclui nas cestas com vegetais variados que vão para as famílias cadastradas no CadÚnico, através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) , do governo federal.

O melhor de tudo é que a empresa é autossustentável, já que a maior parte da matéria-prima das conservas é produzida na própria propriedade, em cinco hectares plantados. Legumes como brócolis, berinjela, repolho, beterraba, pepino, vagem, cebola para aperitivo, couve-flor e raiz forte, um tubérculo picante semelhante ao wasabi japonês, outra herança gastronômica dos ancestrais alemães. Outros produtos vendidos pela empresa (ovo de codorna, palmito e mel) são comprados de agricultores locais.
O carro-chefe, o pepino, é vendido em diferentes preparos: inteiro, fatiado e agridoce. Tem ainda o suco de limão cravo temperado, que confere aquele gostinho nostálgico de churrasco de festa de igreja. E quem trouxer a embalagem vazia na fábrica, que fica na localidade de Cristalina, ajuda na sustentabilidade da atividade e ainda ganha desconto de R$0,50 (vidro de 300g) e R$4,00 (vidro de 1,80 kg). Eles também adquirem vidros reciclados no valor de R$0,25 por unidade.
Quem cuida das plantas, desde a produção de mudas, até o plantio, manutenção e colheita, é Ademir. Ele conta que sua rotina começa de madrugada, às 3:30h, fazendo a entrega das conservas e hortaliças em mercados, sacolões, mercearias e instituições públicas. Às 6h já está de volta na roça, observando o desenvolvimento das plantas, corrigindo a adubação, irrigando as mudas em horários mais amenos e colhendo os vegetais para o dia seguinte. A entrega foi facilitada pela compra de um caminhão maior e mais moderno, de 11 toneladas, através de políticas públicas, neste caso, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ( Pronaf Mais Alimentos ).
O hábito de consumir conservas no Sul do Brasil se deve à forma como os imigrantes europeus em terras catarinas prolongavam a vida útil da produção agrícola de subsistência. Além dos vegetais serem transformados em picles, as frutas viraram geleias e suco concentrado e as pimentas eram conservadas em azeite e vinagre para dar mais sabor às preparações. Tudo para não desperdiçar o alimento que era abundante durante a safra e suprir as necessidades calóricas nos rigorosos meses de frio, durante a entressafra.

Quem ficou interessado em conhecer a propriedade e adquirir os produtos pode acessar o perfil no Instagram @conservas.petermann e agendar uma visita.
Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407 / 99161-6596
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