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A corrida da IA: quem está criando valor e quem está só queimando caixa

A corrida da IA: quem está criando valor e quem está só queimando caixa

02/06/2026 às 09h45
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney
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A corrida da IA: quem está criando valor e quem está só queimando caixa

A corrida da IA: quem está criando valor e quem está só queimando caixa.

 

Entre hype, FOMO e bilhões investidos, a corrida da IA começa a separar quem cria valor de quem apenas acumula custo.

Em 2026, Microsoft, Alphabet, Meta e Amazon devem investir, somadas, cerca de US$ 650 bilhões em capacidade de IA, segundo o Bridgewater Associates. É o maior compromisso de capital corporativo da história. A Gartner projeta gasto global de US$ 2,5 trilhões neste ano. Para qualquer C-level, o recado é claro: IA deixou de ser escolha, virou pilar do negócio.

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Ser pilar significa que a IA não é uma ferramenta que se pega, usa e guarda. Ela influencia como se prevê demanda, otimiza serviços, entende o consumidor e decide. Muda a arquitetura da empresa antes de aparecer no orçamento.

A conta amarga da IA generativa

Em agosto de 2025, o MIT publicou o relatório The GenAI Divide: State of AI in Business 2025, que, dentro da amostra analisada, concluiu que, das empresas que investiram entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões em IA generativa, 95% não obtiveram retorno mensurável na última linha.

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O estudo adota uma visão bastante alarmista, mas o ponto central que devemos observar é a importância de se atentar desde o início para como cada negócio pode capturar valor a partir do investimento em IA dentro de sua operação.

Na maioria das vezes, a maior parte dos orçamentos é alocada sem propósito, em pilotos isolados que não se conectam com os processos centrais. Resultado: capital queimado.

Outro fenômeno ajuda a explicar o desperdício: o “agent washing”. O termo descreve a prática de rebatizar chatbots, assistentes simples e robôs de RPA como “agentes de IA” para justificar preços inflados na onda do hype.

FOMO não é estratégia

Boa parte das empresas brasileiras está caindo na mesma armadilha. Investe em IA movida por fear of missing out (FOMO, o “medo de ficar de fora”), cria um “comitê de IA”, distribui ChatGPT Enterprise para todos e espera que algo mágico aconteça. Não acontece.

Antes de comprar qualquer “solução de IA”, a régua sugerida pela Gartner ajuda a decidir o caminho. São três categorias com soluções e custos muito diferentes:

  • Assistente (LLM), para busca e síntese de informação.
  • Automação tradicional (RPA), para processos repetitivos e bem mapeados. Mais barato e com menos risco.
  • Agente autônomo, para decisão complexa, com julgamento contextual e múltiplos passos encadeados.

A maioria das empresas paga preços astronômicos para resolver problemas simples. Mas existe uma armadilha ainda mais cara, que é anterior a essa decisão: querer ser AI First sem ser Data First.

Agente algum entrega valor sobre uma base fragmentada, suja ou inacessível. Antes de contratar tecnologia, é preciso investir na infraestrutura que vai sustentá-la. Quem pula essa etapa não está implementando IA, está batendo cabeça com ela em escala.

Onde a IA realmente entrega valor

No mercado financeiro, em especial wealth management, segmento sobre o qual tenho mais propriedade, muito se discute sobre a substituição de profissionais que estão na ponta com clientes.

Sou cético quanto a esse cenário no horizonte visível. Dificilmente um agente substituirá a parte que envolve empatia e psicologia financeira, seja em momentos de adversidade, seja em discussões sensíveis como a herança a ser deixada para os filhos.

O que a IA faz é multiplicar a capacidade do consultor. Gera relatórios em minutos, vasculha portfólios em busca de inconsistências, sintetiza calls. Mais do que velocidade, viabiliza o que antes nem era possível: antecipar uma necessidade antes de o telefone tocar, identificar o sinal escondido em múltiplos e-mails.

A disrupção real tem potencial de impactar toda a operação, mas só captura valor quem entra realmente com propósito.

O caminho dos que estão acertando

O ponto de partida tem que ser a dor, não a ferramenta. Antes de qualquer solução, mapeie os principais gargalos e tenha clareza sobre o porquê do agente. Existem oportunidades reais tanto no front quanto no back-office, mas, como o front é mais glamouroso, costuma capturar a maior parte da atenção, muitas vezes sem propósito definido. Sem essa clareza, a IA vira gasto, mas, com ela, vira alavanca de crescimento.

Muito se discute também sobre comprar a solução ou desenvolver internamente.

Penso que isso depende muito da ambição da empresa. Para quem busca eficiência pontual, comprar de fornecedores especializados é o caminho mais rápido. Para quem persegue escala, desenvolver soluções proprietárias é inegociável: só assim é possível customizar a IA para as necessidades dos clientes e construir diferencial competitivo real.

Por fim, definir KPIs antes do piloto é fundamental, mas o ROI completo só se revela ao longo da execução. Nesse jogo, a certeza demora, e quem está vencendo é quem testa, aprende e escala.

Talvez o ponto mais decisivo: a transformação não acontece sem adesão das lideranças estratégicas, que precisam dar o exemplo. Nenhuma comunicação interna substitui o efeito de ver a alta gestão usando IA no dia a dia.

Entrar no jogo do jeito certo

A divisão que aparece no mercado não é entre empresas grandes e pequenas, é entre quem já está testando e quem ainda espera ter certeza. A IA será para esta década o que a internet foi para os anos 2000: uma reconfiguração estrutural da economia. Quem ficar de fora pagará um preço alto.

O que separa os dois grupos é cultura, não tecnologia. Nenhuma plataforma de IA compensa uma organização que decide olhando para o retrovisor. A transformação nasce da disposição de questionar processos intocáveis e executar com consistência.

Adotar IA é como se matricular na academia: a matrícula não entrega resultado, e quem espera transformação em três meses desiste antes de colher qualquer coisa. O ganho acontece para quem aparece todo dia, ajusta a carga e mede o progresso ao longo dos trimestres. O resto é ruído.

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