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Caixa vê crédito habitacional recorde e aposta em força do Minha Casa Minha Vida

Caixa vê crédito habitacional recorde e aposta em força do Minha Casa Minha Vida

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney
03/07/2026 às 13h50
Caixa vê crédito habitacional recorde e aposta em força do Minha Casa Minha Vida

Caixa vê crédito habitacional recorde e aposta em força do Minha Casa Minha Vida.

 

Crédito habitacional concedido pela Caixa deve crescer cerca de 30% em 2026.

Mesmo em meio à frustração do mercado com a perspectiva de cortes mais lentos da Selic, a frente de habitação da Caixa Econômica Federal projeta um novo ano forte para o crédito imobiliário, com perspectiva de crescimento robusto na carteira habitacional, puxado pelo Minha Casa Minha Vida – ainda que a Faixa 4 esteja longe do ponto ideal.

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“A gente quer fechar o ano crescendo nessa faixa de 30% em crédito concedido total, somando pessoa física e jurídica”, disse Raul Gomes, líder da Superintendência Nacional Habitação Pessoa Jurídica (SUHAJ) da Caixa Econômica Federal, em entrevista exclusiva ao InfoMoney durante o Construsummit, em Florianópolis.

O momento é particularmente relevante para a instituição, cuja carteira de crédito imobiliário atingiu a marca de R$ 1 trilhão.

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O banco mantém ritmo recorde nas concessões, com cerca de 3 mil contratos por dia e mais de R$ 1 bilhão liberado diariamente em financiamento habitacional.

Segundo o executivo, a Caixa segue com ampla liderança no setor, especialmente no segmento de habitação de interesse social. “Se a gente faz por dia 3 mil contratos, eu diria que os outros grandes bancos não chegam a 100 ou 200 contratos nesse mesmo universo de habitação para baixa renda”.

A força da operação vem sendo sustentada pelo Minha Casa Minha Vida, que, de acordo com Gomes, ganhou tração adicional com a criação da faixa voltada à classe média, a Faixa 4; a entrada de recursos do fundo social; e o lançamento do Casa Reforma Brasil como marcos de expansão da política habitacional.

O crescimento também se espalha entre as diferentes frentes de atuação do banco. A Caixa financia tanto a produção dos empreendimentos, na ponta das construtoras, quanto o comprador pessoa física. No ano passado, o banco liberou R$ 69 bilhões para financiar a produção e deve alcançar R$ 80 bilhões neste ano, alta de cerca de 15%.

Já na pessoa física, o avanço foi ainda mais acelerado. “No primeiro trimestre, a pessoa jurídica cresceu 15%, mas a pessoa física cresceu mais, cresceu 30% em relação ao ano passado”, afirmou.

Faixa 4

Gomes disse que a faixa voltada à classe média ainda está em fase de maturação. Entre janeiro e maio de 2026, a Caixa contratou 20,9 mil imóveis nessa categoria, somando R$ 6 bilhões – “O crédito concedido cresceu 40%, mas ainda não é tão relevante em número porque a base comparativa era mais baixa”, explicou.

Para Gomes, a expansão dessa faixa depende de um ajuste entre demanda e oferta. “A produção tem que vir junto. Se o cliente hoje tem renda de R$ 13 mil, mas não encontra um imóvel disponível dentro daquela faixa de preço, ele não consegue acessar o programa”, disse.

Na avaliação do executivo, esse mercado deve ganhar mais corpo ao longo do tempo, mas em velocidade menor do que as faixas de renda mais baixa, onde há mais subsídio e maior aderência ao perfil da demanda.

Juros

Gomes ressaltou que a base do Minha Casa Minha Vida segue resiliente, mesmo com o juro alto. Isso porque as taxas cobradas do cliente final no programa são definidas por regras do FGTS e não acompanham diretamente a oscilação da Selic. “O Minha Casa Minha Vida fica meio blindado dessa discussão, diretamente blindado. A taxa de juros foi fixada”, afirmou. “Por isso eu digo que o programa é hoje o grande porto seguro do setor.”

O executivo reconhece que houve uma piora de humor no setor diante da postergação dos cortes de juros e do risco de manutenção de um ciclo monetário restritivo por mais tempo. “O mercado de média e alto padrão é muito sensível à taxa de juros. Todos tinham expectativa de cortes maiores em 2026, e essa frustração faz o comprador ficar de novo com o pé atrás”, disse.

Inadimplência

A inadimplência da habitação da Caixa segue em patamar considerado baixo. O índice de atraso acima de 90 dias ficou em 1,56% em março, ante 1,42% no mesmo mês do ano passado, 1,73% em 2024 e 2,04% em 2023. “É um cenário de extrema estabilidade”, disse. “Existe preocupação, claro, porque moradia é um gasto prioritário para a família, mas quando a situação aperta muito acaba afetando também o financiamento. Não é algo alarmante, mas é algo que exige cuidado.”

A Caixa, afirmou Gomes, vem tentando reduzir ao máximo os casos em que o cliente perde o imóvel por inadimplência. “A coisa que a Caixa menos quer é quebrar esse sonho da pessoa e ter que consolidar a propriedade por causa da inadimplência”, disse. “Nosso papel é tentar que a operação seja o mais sustentável possível, para a parcela caber no orçamento da família.”

Segundo Gomes, esse cuidado passa por critérios rígidos de concessão. “A gente só libera o crédito cuja parcela fique dentro do limite legal e financeiro do cliente. Em geral, até 30% da renda bruta familiar”, afirmou.

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