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Quitanda da SAF gera quase R$ 3 milhões em vendas e transforma vida de agricultores familiares no Piauí

“Sem dúvida, a minha vida mudou muito depois da Quitanda. Abriu novos horizontes, trouxe novas ideias, mais conquistas e, o mais gratificante, apre...

31/05/2026 às 09h35
Por: Redação Fonte: Secom Piauí
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Foto: Reprodução/Secom Piauí
Foto: Reprodução/Secom Piauí

“Sem dúvida, a minha vida mudou muito depois da Quitanda. Abriu novos horizontes, trouxe novas ideias, mais conquistas e, o mais gratificante, aprendizado que conseguimos em contato com outros produtores”. É o que afirma a agricultora, Vanda Lima, feirante que participa desde o início do projeto desenvolvido pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF). Iniciada em 2023, a Quitanda da Agricultura Familiar gerou quase R$ 3 milhões, com mais de 840 feiras realizadas, não apenas no Piauí, mas em também em outros estados do Nordeste.

A secretária da Agricultura Familiar do Piauí, Rejane Tavares, destacou os avanços do setor nos últimos três anos, período em que foram realizadas centenas de feiras. “Nesses três anos, já realizamos quase 900 feiras, quase R$ 3 milhões de faturamento, com mais de 200 agricultores familiares envolvidos. Estamos, hoje, presentes nos 12 territórios de desenvolvimento do Piauí, em parcerias com os municípios e entidades da sociedade civil. Já participamos em feiras na Bahia, Maranhão, Pernambuco e Paraíba”, afirmou.

“Então, em três anos, esses agricultores já foram em quatro estados diferentes, conviveram com outros agricultores familiares, conheceram outras experiências de comercialização, outras experiências de beneficiamento da produção e trouxeram isso para o centro dos seus negócios e empreendimentos”, acrescentou Rejane Tavares sobre o programa, que tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar por meio de feiras organizadas para promoção e comercialização de produtos de associações rurais, produtores e cooperativas.

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Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Vanda é um dos maiores case de sucesso da Quitanda. Foto: Geirlys Silva

A Quitanda ocorre em diversos espaços, como a Feirinha Verde da Universidade Federal do Piauí (UFPI), praça do Palácio Pirajá na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), condomínios, repartições públicas, empresas privadas e, agora, é solicitada em escolas públicas e privadas, com produtos já certificados. Uma variedade do projeto é a Quitanda Super, que está presente em supermercados da rede Carvalho Super, e que comercializa produtos beneficiados. A secretária destaca que a Quitanda tem permitido não só a venda de produtos, mas a capacitação e profissionalização de agricultores familiares que tentam melhorar a sua produção.

“Vários agricultores tiveram seus produtos certificados pela Adapi e já apresentam esses produtos em outros espaços de comercialização além das feiras promovidas pela Quitanda. São pequenos supermercados, condomínios, empresas privadas, repartições públicas e praças, de terça a domingo, em Teresina. Então isso é um crescimento significativo de renda para os agricultores familiares. Temos uma média de R$ 800 de faturamento. Temos também muitas solicitações de escolas públicas e privadas que buscam a experiência da Quitanda como uma forma de apresentar aos estudantes e seus familiares os produtos oriundos da agricultura familiar, seja para feiras de ciência, eventos comemorativos e outras festas”, explica Rejane Tavares.

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Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Secretária Rejane Tavares e diretor Tiago Patrício na Quitanda da Uespi. Foto: Geirlys Silva

Projeto leva a agricultura familiar a diversos espaços

De acordo com o diretor de Inovação da SAF e coordenador do projeto Quitanda, Tiago Patrício, as feiras também já levaram a potencialidade de agricultura familiar em eventos que ocorreram em eventos do Nordeste, promovendo a comercialização e a cultura do empreendedorismo rural, além do desenvolvimento de marketing e logística de produção e venda, marcas registradas do programa.

“A Quitanda, além de promover a comercialização dos produtos, promove também a cultura do empreendedorismo rural. Isso, talvez, seja o mais importante, quando a gente começa a trabalhar com esses mecanismos que qualquer empresa tem, mas adaptado à nossa cultura e realidade da agricultura familiar. Além de participar de feiras, ela promove o desenvolvimento de marketing, desenvolvimento de produtos, precificação e maior compreensão sobre a logística. Então, todas essas ações que a agricultura familiar pode desenvolver é o que chamamos de Quitanda”, explicou.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Quitanda da Agricultura Familiar ajuda famílias a crescerem financeiramente com venda de produtos saudáveis. Foto: Geirlys Silva

Com a Quitanda, agricultora teve aumento de renda em mais de 90%

Dentre os destaques da Quitanda, está a agricultora Vanda Lima, que, segundo Tiago, foi “o grande case de sucesso”, com a mudança de vida que teve ao entrar no projeto com a venda de chás gelados. Moradora do loteamento Juruá, no bairro Vale Quem Tem, zona leste de Teresina, Vanda começou ajudando a filha no curso de engenharia agronômica com a produção de hortaliças e, após um convite para substituir uma amiga numa feira em condomínio, conheceu o projeto da SAF e se interessou em iniciar a vender também.

“A minha amiga Samara não podia ir e precisava de alguém para substituir. Eu já produzia hortaliças, mas em pequena escala, porque não tinha onde comercializar. E eu fui para feira, conheci a Quitanda, me interessei e quis participar. E, desde então, minha vida mudou. O programa nos dá incentivo, força, ânimo e apoio para produzir. A agricultura familiar nos abriu um espaço, valorizou e segue, acima de tudo, confiando no nosso trabalho com produtos naturais”, disse.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Vanda e seu filho João Pedro na venda dos chás na feira. Foto: Geirlys Silva

Conhecida por sua venda de chás gelados, Vanda afirma que, após entrar no projeto da SAF, sua renda aumentou em 90%, possibilitando a compra do seu apartamento próprio.

“Minha renda aumentou em 90%, sem dúvidas, melhorou bastante a minha vida. Eu tinha um sonho que consegui realizar, que foi comprar meu apartamento, ter o meu cantinho, tudo isso por meio das vendas na Quitanda, nesses últimos três anos. Formei a minha filha, foi difícil, mas conseguimos, então só tenho a agradecer”, relatou.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Foto: Arquivo pessoal

Mas o começo não foi fácil. Tiago detalha que a agricultora iniciou com a venda de ervas medicinais, com uma arrecadação menor que R$ 100.

“A Vanda levava folhosa, principalmente ervas medicinais para chás, mas o rendimento dela era baixo. Eu a convidei para participar das feiras nos domingos e no primeiro ela vendeu R$ 70. No segundo aumentou um pouco para R$ 80, mas ficava nessa média. Sugeri a ideia de vender os chás dessas ervas, mas foi um verdadeiro fracasso. Vendeu menos do que já vendia, algo em torno de R$ 40. Porém, na feira não existe apenas a comercialização, mas também as relações que você constrói”, disse o diretor.

Segundo Tiago, a ideia de trabalhar com chás gelados veio de uma sugestão de uma cliente. “Uma pessoa procurou pela Vanda e sugeriu que ela vendesse chá gelado. O filho dela gostou da ideia e começou, e aí, sim, teve uma virada. Ela conseguiu colocar os filhos nos negócios e hoje ela tem um rendimento tão alto que extrapola as feiras, vai para diversos restaurantes e lanchonetes. Ela conseguiu subir na vida em diversos aspectos, até porque, ela não trabalha agora apenas com chás gelados, ela faz complementos com alimentos desidratados, como banana chips, banana caramelizada, batata doce chips e beterraba chips”, destacou Tiago.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Chás gelados da Vanda se tornaram símbolo de sucesso e superação. Foto: Geirlys Silva

Com a Quitanda, Vanda afirma que conseguiu levar seus produtos para fora do estado, na ‍Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fenafes), em São Luís, no Maranhão, em novembro de 2025, onde pôde apresentar sua produção, conhecer novas ideias e alternativas.

“Participei do Fenafes e foi uma experiência maravilhosa, onde estavam todos os produtores do Nordeste reunidos, então, cada um tinha um pouquinho para compartilhar. Foi onde surgiram várias ideias para o meu trabalho também. Quando chegamos, as pessoas acharam interessante como transformamos as ervas medicinais em chás gelado e com muitos sabores. Temos 21 tipos diferentes, como capim-limão, framboesa, morango, sete ervas e entre outros, então foi muito gratificante e proveitoso esse evento”, disse a agricultora.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Vanda compôs a delegação piauiense que participou da Fenafes. Foto: Geirlys Silva

Mãe do João Pedro, Ivana e Gabriela, Vanda destaca a importância do programa na sua vida e as oportunidades que obteve pela SAF.

“O programa transformou a nossa vida, com todas as oportunidades que nos ofereceram e a confiança que construímos. É um privilégio participar da feira, não tenho nem palavras para falar de tudo de bom que consegui na vida depois dela. Tirou a gente do anonimato e mostrou para o mundo o nosso trabalho ao mercado”, destacou.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Foto: Arquivo pessoal

Projeto leva alimentos saudáveis para o público consumidor

A confeiteira, Milena da Silva, de 54 anos, se diz “frequentadora assídua” e participa da feira desde 2024. Mãe de três filhos e avó de duas netas, ela afirma que sempre visita as feiras e leva a família e amigos para conhecerem e comprarem os produtos da agricultura familiar.

“Eu gosto muito da Quitanda, já tem um pessoal que eu sempre compro, mais por conta da alimentação que é importante, por ser produtos naturais como ovo caipira, carne de leitão, verduras e entre outros. Eu já começo meu dia tomando café na Quitanda, levo minhas netas, meus filhos e combino com alguns amigos”, disse.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
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Feira acontece quinzenalmente na praça do Palácio Pirajá. Foto: Geirlys Silva

Milena destaca a importância da agricultura familiar e de programas com a Quitanda para maior promoção da alimentação saudável e garantir maior permanência dos trabalhadores rurais no campo.

“A importância da agricultura familiar se dá, inicialmente, pela alimentação, com produtos de qualidade. E também, pela permanência dos trabalhadores em sua própria terra com maior qualidade de vida, além de poder repassar de geração em geração, deixando um legado que não se perde no tempo”, disse.

Apaixonada pela agricultura familiar, Milena deixa um recado para quem ainda não conhece o projeto, afirmando que é um novo mundo.

“Sempre divulgo, tento levar meus amigos e pessoas que conheço. Sou apaixonada, gosto demais, conversamos e interagimos com feirantes, criamos laços. Para quem gosta é muito bom e para quem não conhece, é uma novidade, um outro mundo”, finalizou.

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