
Presidente do BC afirma que sistema de pagamentos instantâneos ajudou a bancarizar brasileiros e impulsionou acesso ao crédito.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rebateu nesta terça-feira (19) a percepção de que o Pix teria reduzido espaço das operadoras de cartão de crédito no Brasil.
Segundo ele, o avanço do sistema de pagamentos instantâneos ajudou a ampliar a inclusão financeira no país e acabou estimulando também o crescimento do mercado de cartões.
Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo afirmou que o Pix trouxe para o sistema bancário milhões de brasileiros que antes operavam fora do mercado financeiro tradicional.
Na avaliação do presidente do BC, essa ampliação da base de clientes fortaleceu produtos de crédito oferecidos pelos bancos, incluindo cartões.
“Muitas pessoas imaginam que existe rivalidade entre Pix e cartão de crédito, mas o que observamos é o contrário. O cartão cresceu junto com a bancarização promovida pelo Pix”, afirmou.
A fala ocorre em um momento em que o sistema brasileiro de pagamentos continua no centro das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
No ano passado, o governo do presidente Donald Trump abriu uma investigação comercial para avaliar práticas consideradas desleais no setor de pagamentos digitais no Brasil. Embora o Pix não tenha sido citado nominalmente na abertura do processo, documentos divulgados posteriormente pela Casa Branca passaram a mencionar diretamente o sistema desenvolvido pelo Banco Central.
Em relatório publicado neste ano, o governo americano afirmou que empresas dos Estados Unidos demonstram preocupação com um possível favorecimento regulatório ao Pix, o que poderia prejudicar gigantes globais de meios de pagamento, como Visa e Mastercard.
O documento argumenta que o Banco Central atua simultaneamente como criador, operador e regulador do sistema, levantando questionamentos sobre concorrência no mercado brasileiro de pagamentos eletrônicos.
Galípolo evitou entrar diretamente na disputa diplomática envolvendo o sistema brasileiro, mas reforçou que o Pix produziu efeitos positivos sobre a inclusão financeira.
Segundo ele, a entrada de novos usuários no sistema bancário ampliou o acesso da população a produtos financeiros mais sofisticados, incluindo linhas de crédito e cartões.
O presidente do BC também defendeu o modelo regulatório brasileiro e destacou que a obrigatoriedade de adesão ao Pix para instituições com mais de 500 mil contas ajudou a acelerar a disseminação da ferramenta no país.
A investigação aberta pelos Estados Unidos segue em andamento e é acompanhada de perto pelo governo brasileiro, que vê no Pix um dos principais ativos tecnológicos e financeiros desenvolvidos pelo país nas últimas décadas.
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