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Deslizamento em Olinda: jovem que morreu abraçada com o filho dedicava rotina a cuidar do bebê de 6 meses

Deslizamento em Olinda: jovem que morreu abraçada com o filho dedicava rotina a cuidar do bebê de 6 meses

02/05/2026 às 20h41
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco
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Deslizamento em Olinda: jovem que morreu abraçada com o filho dedicava rotina a cuidar do bebê de 6 meses

Deslizamento em Olinda: jovem que morreu abraçada com o filho dedicava rotina a cuidar do bebê de 6 meses.

 

Bruna Karine, de 20 anos, sonhava com o primeiro aniversário do filho e mantinha o bebê sempre por perto, segundo relato de amiga.

“Ela fazia de tudo para o filho se sentir protegido. Onde ela ia, era com ele.” A lembrança de uma das amigas da vítima ajuda a desenhar quem era Bruna Karine da Silva, de 20 anos, que morreu abraçada ao filho de 6 meses, após um deslizamento de barreira no bairro do Passarinho, em Olinda, na sexta-feira (1º). Os dois estavam desaparecidos desde a manhã e foram encontrados sem vida pelo Corpo de Bombeiros depois de um dia inteiro de buscas.

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Bruna estava em casa esperando o filho acordar quando ocorreu o deslizamento. A amiga dela destaca que o dia a dia da jovem era concentrado dentro de casa acompanhando o bebê e aguardando o marido, que trabalha como vendedor de banana, em Beberibe, Zona Norte do Recife.

Bruna evitava sair sem o menino e também não costumava deixá-lo sob os cuidados de outras pessoas. “Ela era muito cuidadosa e protetora. Fazia de tudo para Pietro se sentir protegido. Não gostava que falassem qualquer coisa sobre ele e tinha muito cuidado. Bruna não podia trabalhar por causa do filho, pois precisava cuidar dele. Ela era muito apegada. Para onde ela ia, levava Pietro”, conta a amiga.

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As duas se conheceram ainda durante a gravidez e se aproximaram nos meses seguintes. Depois do nascimento do menino, a amiga passou a frequentar a casa da jovem, no Passarinho, e a conviver com o bebê. Em alguns momentos, ficava com ele ao longo do dia.

Esse contato se manteve mais frequente até o início de março, quando a amiga se mudou e passou a vê-los com menos frequência. O último encontro entre as duas aconteceu no dia 8 daquele mês.

Mesmo com a rotina restrita, Bruna fazia planos e tinha o sonho de organizar a festa de 1 ano de idade do filho. Segundo a amiga, o assunto aparecia com frequência nas conversas e era tratado como um objetivo importante. O nascimento do menino também tinha um significado particular para a jovem, já que ela sonhava em ter um menino.

Na manhã do deslizamento, a amiga contou que ainda não sabia o que havia acontecido e só percebeu a gravidade ao ver imagens e reconhecer o local. “Quando eu olhei melhor pela TV, eu vi que o deslizamento era perto da casa de Bruna. Eu saí correndo para ir para lá e quando cheguei me disseram que eram Bruna e o filho que estavam soterrados”, relembra.

As buscas duraram todo o dia e, de acordo com o Corpo de Bombeiros, Bruna e o filho foram localizados já sem vida. Outras cinco pessoas atingidas pelo deslizamento foram resgatadas ainda pela manhã. Os corpos foram retirados da área e encaminhados ao Instituto de Criminalística.

“Depois começou a chover, e todo mundo desceu para evitar mais risco. Foi quando eu vi um bombeiro segurando Pietro em um saco. Naquele momento, comecei a chorar muito. Na minha cabeça, parecia que ele estava dormindo. Fiquei em choque. Quando percebi, eu estava toda suja de lama e fui para casa me limpar. Quando voltei, os corpos já estavam cobertos”, conta a amiga de Bruna.

Para ela, a forma como Bruna agiu no momento do deslizamento está ligada à maneira como conduzia a maternidade diariamente. “Ela botou as últimas forças dela para segurá-lo e protegê-lo”, afirmou.

Ao todo, cinco pessoas morreram na sexta-feira durante as chuvas no Grande Recife. No bairro de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, outra mulher, de 24 anos, e o filho também morreram após um desmoronamento. Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Olinda registrou 184 milímetros de chuva no período.

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