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“Capitalismo funciona porque perdedores morrem”: investidor critica ajuda a aérea.

“Capitalismo funciona porque perdedores morrem”: investidor critica ajuda a aérea.

30/04/2026 às 12h27
Por: Redação Fonte: Fortune
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“Capitalismo funciona porque perdedores morrem”: investidor critica ajuda a aérea.

“Capitalismo funciona porque perdedores morrem”: investidor critica ajuda a aérea.

 

O megainvestidor e estrela do Shark Tank Kevin O’Leary é contra a possível intervenção do governo dos EUA para salvar a Spirit Airlines.

A Spirit Airlines pode ter apenas alguns dias para garantir um fôlego financeiro, mas o investidor multimilionário e estrela do Shark Tank, Kevin O’Leary, acredita que Washington deveria deixar a companhia aérea de baixo custo quebrar de vez.

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Em entrevista ao programa Katie Pavlich Tonight, da NewsNation, O’Leary chamou o eventual plano de US$ 500 milhões do governo Trump para resgatar a Spirit Airlines de “péssima ideia”, argumentando que sustentar empresas fracassadas mina a lógica do capitalismo americano.

“Todos esses programas de resgate para empresas que estão falindo — o capitalismo funciona porque os perdedores morrem; os ativos acabam sendo absorvidos pelo mercado, por fundos de private equity, credores ou outros compradores estratégicos, mas isso é má gestão”, disse O’Leary.

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“Você não quer apoiar má gestão. Você quer deixar que morram”, continuou. “É assim que o sistema privado funciona. Os melhores sobem ao topo, e os piores acabam saindo do mercado.”

O que está acontecendo com a Spirit Airlines

Os comentários do investidor do Shark Tank surgem enquanto o governo Trump entra em negociações avançadas sobre um resgate financeiro para a companhia de baixo custo.

O pacote em discussão supostamente pode incluir um empréstimo de até US$ 500 milhões, com garantias que poderiam dar ao governo federal o direito de possuir até 90% da companhia aérea após sua saída da recuperação judicial.

A Spirit entrou com pedido de recuperação judicial duas vezes em cerca de um ano: primeiro em novembro de 2024 e, depois, novamente em agosto de 2025, após um juiz federal barrar sua proposta de fusão com a JetBlue e a empresa ter dificuldade para se adaptar à mudança no padrão de viagens pós-pandemia, com maior demanda por serviços premium.

A companhia estava a caminho de sair de sua segunda recuperação judicial neste verão, até que o custo do combustível de aviação disparou após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã no fim de fevereiro.

Isso acrescentaria cerca de US$ 360 milhões às despesas da Spirit se o combustível se mantiver em torno de US$ 4,60 por galão (3,78 litros), segundo o JPMorgan.

O presidente Donald Trump sinalizou apoio a um resgate na semana passada, dizendo à CNBC: “A Spirit está com problemas, e eu adoraria que alguém comprasse a Spirit.

“São 14 mil empregos, e talvez o governo federal devesse ajudar nesse caso”, continuou.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, tem sido um dos “principais defensores” dentro do governo ao pressionar por uma participação acionária, informou a CBS News.

Mas a ideia tem enfrentado resistência bipartidária. O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse à Reuters que está cauteloso quanto a colocar “dinheiro bom em cima de dinheiro ruim”.

“Já foi colocado muito dinheiro na Spirit, e eles não conseguiram encontrar um caminho para a lucratividade”, afirmou. “Então, estaríamos apenas adiando o inevitável para depois ficarmos com isso? Ou a Spirit tem algum caminho para dar certo? Eu não sei a resposta.”

O senador Ted Cruz (Republicano do Texas) também chamou a proposta de “uma ideia absolutamente terrível”.

“Os resgates corporativos do Tarp foram um enorme erro, e o governo não entende absolutamente nada de como administrar uma companhia aérea de baixo custo falida (que o governo Biden destruiu)”, escreveu Cruz em uma publicação no X em 22 de abril, referindo-se ao Troubled Asset Relief Program (Programa de Ajuda para Ativos Problemáticos, em tradução livre), o programa de resgate de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso em outubro de 2008 durante a crise financeira sob o então presidente George W. Bush.

Tad DeHaven, analista de políticas públicas do Cato Institute, também disse à Fortune, em entrevista a Diane Brady, que o acordo se resume a “dinheiro, poder e influência”.

“O que é desesperadamente necessário é que o Congresso intervenha e diga não à aquisição de ações pelo governo”, alertou. “Isso é abrir uma caixa de Pandora.”

A Spirit tem se recusado repetidamente a comentar as negociações e afirmou que está “operando normalmente”.

Uma posição já conhecida de O’Leary

A postura de O’Leary em relação ao possível resgate da Spirit Airlines segue um padrão antigo do investidor, que é presidente da O’Leary Ventures e construiu sua fortuna após vender a Learning Co. (antiga SoftKey) para a Mattel por US$ 4,2 bilhões em 1999.

A estrela do Shark Tank passou anos usando sua plataforma para argumentar contra a intervenção do governo em mercados privados.

Durante a pandemia de 2020, O’Leary disse à CNBC que companhias aéreas em dificuldade deveriam “ir à falência” em vez de receber ajuda federal. E, após o colapso do Silicon Valley Bank em 2023, ele criticou reguladores por garantirem depósitos não segurados, citando risco moral.

Semanas depois, quando o First Republic estava à beira do colapso, ele disse à Bloomberg TV que bancos regionais fracos deveriam poder quebrar: “Deixem aqueles administrados por idiotas irem a zero. Essa é a grande virtude dos mercados: eles encontram os maus gestores, eliminam e os tiram do sistema.” Ele também já chamou o perdão de dívidas estudantis de “antiamericano”.

Assim, sua mensagem sobre o possível resgate da Spirit é essencialmente a mesma que ele vem repetindo há anos: deixe o mercado decidir.

“É isso que mantém a América grande. É por isso que funciona. É por isso que é a economia número um do mundo”, disse O’Leary. “É por isso que todo mundo quer ser empreendedor, para tentar conquistar sua independência.”

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