
Os cães sagrados sem pelos do Peru estão ajudando arqueólogos a entender melhor como funcionavam os rituais, as crenças e a vida cotidiana da antiga civilização Wari nos Andes. A descoberta de restos mortais com cerca de 1.300 anos revelou que esses animais recebiam cuidados especiais e ocupavam uma posição importante dentro da sociedade. Os estudos também mostram que alguns cães eram enterrados ao lado de humanos, indicando uma forte ligação espiritual e simbólica entre pessoas e animais naquele período.
Os pesquisadores identificaram restos mortais pertencentes ao cão pelado peruano, uma raça conhecida pela ausência quase completa de pelos. O achado, detalhado em um artigo no Journal of Anthropological Archaeology, reforça que, embora atualmente essa espécie seja considerada patrimônio cultural do Peru, ela já possuía grande importância há muitos séculos.
As análises revelaram características físicas únicas nos esqueletos encontrados em Castillo de Huarmey. Fragmentos de pele preservados confirmaram que os animais realmente tinham poucos pelos, reforçando a ligação com a raça ainda existente nos dias atuais.
Os cães encontrados no sítio arqueológico desempenhavam diferentes funções dentro da sociedade Wari. Alguns viviam próximos das elites e recebiam alimentação semelhante à de crianças, enquanto outros ajudavam no transporte e na proteção de caravanas comerciais.
Os estudos apontam algumas das principais funções desses animais dentro da antiga sociedade andina:
As escavações começaram em 2010 no complexo arqueológico de Castillo de Huarmey, no Peru. O local revelou um grande mausoléu com túmulos de elite, tecidos raros, joias, cerâmicas e diversos restos de animais enterrados junto aos humanos.
Para entender a origem e o estilo de vida dos cães, os pesquisadores utilizaram diferentes métodos científicos durante as análises:
Os enterramentos mostram que os cães tinham uma forte ligação espiritual com os povos andinos. Alguns animais foram sepultados ao lado de artesãos, guardiões e adolescentes, indicando que essas escolhas eram simbólicas e planejadas. Para muitas culturas da região, os cães ajudavam as almas a atravessar o caminho para a vida após a morte.
Os pesquisadores também descobriram que os cães sem pelos eram associados a propriedades medicinais. O calor do corpo desses animais era visto como uma forma de aliviar dores e doenças. Essas crenças ajudam a explicar por que a raça era tratada com tanto respeito dentro da sociedade Wari e reforçam a importância espiritual dos animais nos antigos Andes.
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